Os pesquisadores terão talvez de examinar nada menos que 14 séculos, do século 3 AC até o início do século 17, para encontrar outro regime que construa muros e barreiras em tal frenesi, na tentativa desesperada de conseguir manter-se sobre terras roubadas, semelhante ao que nós logo veremos também aqui, no sul do Líbano, na fronteira com Israel.
Por Franklin Lamb no Counterpunch
24 de Abril de 2012, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
No ano 221 AC, para proteger a China contra a invasão do povo Xiongnu da Mongólia – e a tribo Xiongnu era, então, o principal inimigo da China, e lutava para reconquistar terras que acusava os chineses de terem roubado –, o imperador Qin Shi Huang ordenou que se construísse um muro, para preservar as conquistas territoriais chinesas.
Ao longo da história, construíram-se muitos muros, para proteger terras ocupadas. Os romanos construíram o Muro de Adriano na Grã-Bretanha, para manter os pictos do lado de fora; e os alemães do leste construíram o Muro de Berlin, para manter do lado de dentro quem quisesse sair dali [nota da redação: o muro foi construído sob o argumento de dar um fim às provocações e sabotagens realizadas pelo regime capitalista da Alemanha ocupada pelos Estados Unidos]. Mas nenhum regime na história construiu, em 60 anos, a quantidade de muros que foram e continuam a ser erguidos pelo paranoico governo de Telavive. Agora, planejam outros cinco novos muros, chamados "barreiras de proteção antiterroristas", entre os quais um, cuja construção deve ser iniciada em breve, sobre a fronteira entre Líbano e Palestina, na cidade libanesa de Kfar Kila. E esse muro pode vir a criar problemas ainda mais graves que outros.
A decisão de erguer um muro "para substituir a barreia técnica israelense existente" ao longo da Linha Azul, junto à cidade de Kfar Kila, foi anunciada por Telavive na semana passada. O anúncio aconteceu depois de uma reunião entre militares israelenses e a UNIFIL [orig. United Nations Interim Force In Lebanon, Força Provisória da ONU no Líbano] e os dois lados continuam estranhamente silenciosos sobre esse novo muro; mas o porta-voz da UNIFIL, Neeraj Singh, deixou escapar, em conversa comigo, que a primeira parte do muro terá cerca de 500m comprimento e cerca de 5m de altura.
Moradores do sul do Líbano opõem-se fortemente à construção da muralha, dentre outras razões, porque bloqueará a visão das belas paisagens da Palestina que se veem dali. Outros tem rido das razões apresentadas pelo lobby EUA-Israel, que pedirá ajuda aos contribuintes norte-americanos para as despesas de construção do muro.
David Schenker, conhecido militante pró-Israel (até quando ser pró-Israel implica ser contra os EUA; em ing. Israel firster), ligado ao Institute for Near East Policy, em Washington, associado ao AIPAC, disse em audiência no Congresso, recentemente: "O sul do Líbano é área obviamente muito sensível [para Israel], muito próxima de Metula e via pela qual o Hezbolá e palestinos podem infiltrar-se. A preocupação de Israel é legítima. O governo israelense crê que o muro, naquele ponto, impedirá que terroristas lancem ataques diretos com foguetes e morteiros. Impedirá também que turistas que visitam a região lancem pedradas contra Israel, o que muitos fazem e já se tornou praticamente um hábito."
Observadores locais, oficiais da UNIFIL e especialistas como Timor Goksel, que trabalhou por 24 anos como porta-voz da UNIFIL na área da Linha Azul, têm-se mostrado surpresos e intrigados por Israel andar falando tanto de Kfar Kila como região particularmente perigosa, que necessitaria de muros.
Nada, de fato, jamais aconteceu ali; aquela área nunca foi perigosa nem "sensível", sequer quando a OLP controlava a região, nos anos 1970s. Goksel explicou: "Nos meus 24 anos de experiência, jamais houve ataques nesse ponto, porque é muito próximo de uma cidade libanesa; ataques nesse ponto criariam dificuldades, sobretudo, para os libaneses que vivem ali. Que eu saiba, ninguém jamais pensou em atacar ali. Além do mais, mesmo que alguém invada o território israelense por Kifa Kula, é preciso andar muito até encontrar o primeiro posto israelense. Não faz sentido algum atacar aqui. Atacariam quem, nesse local?"
Moradores locais comentam que o verdadeiro motivo para Israel querer erguer um muro em Kfar Kila é impedir que soldados israelenses troquem ali armas e informações, por drogas; como todos sabem na região, o problema do consumo de drogas entre soldados de Israel no "Comando Norte" aumentou muito, desde a campanha mal-sucedida de Israel, naquela região, na guerra contra o Líbano, em julho de 2006.
O mais novo muro da vergonha em Israel seguirá o traçado de outro muro, que está já em construção, ao longo dos 700 km de fronteira entre os desertos do Sinai e do Negev. Esse muro deverá estar construído até o final de 2012. Então, se se somar o muro de Kfar Kila, Israel estará quase completamente cercada por aço, arame farpado e concreto; com uma única abertura, na fronteira com a Jordânia, entre o Mar Morto e o Mar Vermelho, onde não há barreira física. Mas logo também haverá um muro nesse ponto, segundo informação de Shenker; explicou que o muro é necessário também ali, porque há "incerteza" na Jordânia e o reino mostra-se cada vez mais vacilante.
Há mais muro, a cerca de 11km do Mediterrâneo, ao longo da fronteira sul, que se encontra com a jaula que Israel já construiu em torno de Gaza. Esse muro estende-se por 51km e é protegido por uma faixa de terra fortemente minada; os palestinos não podem andar ali, e o muro invade cerca de 1km da estreita Faixa de Gaza; por causa desse muro, os palestinos proprietários não conseguem chegar às suas melhores terras para a agricultura. Esse "muro de segurança" mantém os palestinos enjaulados dentro de Gaza, mas não impediu que o soldado Gilad Shalit, do exército de Israel, fosse capturado, bem ali, em 2006.
Depois que Israel foi expulsa do Líbano, em 2000, depois de 22 anos de ocupação, a barreira ao longo da fronteira Palestina-Líbano foi reconstruída. Essa barreira não impediu que o Hezbolá, em 2006, invadisse território israelense e capturasse dois soldados israelenses, que adiante foram usados numa troca, para libertar militantes que Israel mantinha prisioneiros. Também não impediu que o Hezbolá disparasse seus muitos mísseis, em guerra de retaliação que durou 33 dias, depois que Israel bombardeou e destruiu vastas áreas no sul do Líbano.
Apesar disso, os "muros de proteção" continuam a brotar do chão, como cogumelos depois da chuva.
Mais para o leste do Líbano, está sendo erguido outro muro, sobre a linha do cessar-fogo traçada ao final da guerra de 1973, do Yom Kippur; passa entre as colinas do Golan - que Israel ocupa ilegalmente há cerca de 45 anos - e a Síria. Exatamente por aí centenas de manifestantes pró-palestinos entraram em território palestino ocupado, em maio passado, pelo Golan e ao longo da fronteira libanesa. Mais de dez manifestantes foram mortos, e muitos foram feridos, quando o exército sionista abriu fogo contra manifestantes civis desarmados.
Um posto de passagem em Quneitra, atualmente operado pela ONU, permite alguma mobilidade ao pessoal da ONU, dá passagem a alguns caminhões carregados de maçãs, a uns poucos estudantes drusos e a uma ou outra esporádica noiva síria de véu e grinalda[1].
Poucos quilômetros ao norte de Quneitra está a Colina dos Gritos [orig. Shouting Hill], onde famílias drusas do Golan gritam, de um lado de uma faixa de terra minada, para serem ouvidos pelos parentes e amigos que vivem na Síria, do outro lado da faixa minada de território sírio ocupado por Israel[2].
Rumo ao sul, por campos e colinas pesadamente minados, a linha do cessar-fogo de 1973 é semeada de bases militares e zonas militares vedadas, restos de tanques que sobraram de outros combates, até que se conecta com a fronteira com a Jordânia. Ali se une a um dos primeiros muros construídos por Israel, ainda no final dos anos 1960s, e que hoje se estende quase desde o Mar da Galileia, pelo Vale do Jordão, até o Mar Morto. A maior parte dessa linha não é fronteira de Israel; é, simplesmente, mais um muro, para separar a Jordânia, de um lado; e, de outro a Cisjordânia ocupada por Israel.
A cerca de dois terços do caminho, a barreira liga-se ao sempre infame muro de aço e concreto da Cisjordânia. Esse muro acompanha a linha do armistício de 1949, engolindo, na passagem, muitas áreas plantáveis de terras palestinas, rasgando ao meio vilas e comunidades e separando sitiantes e agricultores de suas plantações de oliveiras. Como sobre outros 18 muros e barreiras, o regime sionista diz que se trata de simples medida de segurança. Mas, para muitos, o muro marca o limite de um futuro estado palestino, e já consumiu mais 12% do território da Cisjordânia. Cerca de dois terços dos quase 748km de muro já estão prontos, quase todo ele uma barreira de aço, com largas faixas de exclusão dos dois lados. Segundo o traçado atual, 8,5% do território da Cisjordânia e 27.520 palestinos vivem do lado ‘israelense' da barreira. Outros 3,4% da área (com 247.800 habitantes) está completamente ou parcialmente já cercada pelo muro.
Duas outras barreiras semelhantes - a que separa Israel e a Faixa de Gaza; e o muro que Israel construiu, 7-9m, que separa Gaza do Egito (que foi temporariamente derrubado dia 23/1/2008), atualmente sob controle dos egípcios -, também têm sido amplamente criticadas pela comunidade internacional.
De volta ao tema do novo projeto de novo muro, cada vez mais o regime sionista dedica-se a impedir discussões, audiências, visitas, expressões de solidariedade com os palestinos; agora já tenta impedir, até, que, do sul do Líbano, se aviste o estado sionista militar. O movimento de impedir que se veja e reveja uma paisagem que há milênios fascina os viajantes é mais um passo na direção do autoisolamento de Israel, cada vez mais xenófobo.
Depois da reunião conjunta em Kfar Kila, o major-general Serra, da UNIFIL, disse: "A reunião foi convocada para ajudar Israel a implantar medidas adicionais de segurança ao longo da Linha Azul, na área de Kfar Kila, para minimizar as causas de tensões esporádicas ou de desentendimentos que poderiam levar a uma escalada da situação". O mais provável, de fato, é que o muro em Kfar Kila provoque efeito exatamente oposto.
Em recente visita ao campo palestino de Ahmad Jibril no vale do Bekaa, e em conversa com grupos salafistas em Saida, pude ver bem claramente que o muro logo virará alvo para prática de tiro; o que só dificultará o trabalho da UNIFIL e do Hezbolá, que tanto se esforçam para manter calma a região de fronteira.
Em comentário sarcástico, recentemente publicado no Yedioth Ahronoth, o jornal de maior circulação em Israel, Alex Fishman, conhecido analista da Defesa, escreveu: "[Israel] Nos tornamos uma nação que se autoaprisiona atrás de muros e cercas, que se encolhe aterrorizada por trás de escudos de defesa". Já é, disse Fishman, "uma doença mental nacional."
[1] Referência ao filme "A Noiva Síria" (dir. Eran Riklis, 2004). Mais sobre o filme em http://www.adorocinema.com/filmes/filme-59151/ [NTs].
[2] Sobre a Colina dos Gritos ver 23/2/2009, "Families Shout Their Love Across Minefields in Golan Heights" [Famílias gritam seu amor, sobre a fronteira minada de território sírio ocupado por Israel, no Golan] em http://news.newamericamedia.org/news/view_article.html?article_id=e276b8706a88aca9e3a98dbbd5526d1d (NTs)
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 4 de março de 2012
“ANTES, ANTI-SEMITA ERA ALGUÉM QUE ODIAVA OS JUDEUS POR SEREM JUDEUS. HOJE ANTI-SEMITA É ALGUÉM ODIADO PELOS JUDEUS”
4 março 2012/Blog do Bourdoukan http://www.blogdobourdoukan.blogspot.com (Brasil)
“Antes, anti-semita era alguém que odiava os judeus por serem judeus. Hoje anti-semita é alguém odiado pelos judeus”
Palavras do Dr.Hajo Meyer, 86 anos e que esteve preso em Auschwitz.
Depois de traçar um paralelo entre o tratamento que os judeus receberam durante a Segunda Guerra Mundial e o tratamento que os palestinos recebem dos sionistas, o Dr. Meyer acusou os israelenses de desumanizar os palestinos “como os nazistas tentaram desumanizar-me”.
O Dr. Meyer nasceu em Bielefeld, Alemanha, em 1924 e hoje vive na Holanda.
Ele é porta-voz da Rede Internacional de Judeus Anti-Sionistas e autor de 3 livros sobre o judaísmo, o holocausto e o sionismo.
Ele afirmou também que “criticar Israel não é ser anti-semita” e abaixo você assiste ao seu depoimento (em inglês) sobre o colapso moral da sociedade israelense e da comunidade judaica mundial.
“Antes, anti-semita era alguém que odiava os judeus por serem judeus. Hoje anti-semita é alguém odiado pelos judeus”
Palavras do Dr.Hajo Meyer, 86 anos e que esteve preso em Auschwitz.
Depois de traçar um paralelo entre o tratamento que os judeus receberam durante a Segunda Guerra Mundial e o tratamento que os palestinos recebem dos sionistas, o Dr. Meyer acusou os israelenses de desumanizar os palestinos “como os nazistas tentaram desumanizar-me”.
O Dr. Meyer nasceu em Bielefeld, Alemanha, em 1924 e hoje vive na Holanda.
Ele é porta-voz da Rede Internacional de Judeus Anti-Sionistas e autor de 3 livros sobre o judaísmo, o holocausto e o sionismo.
Ele afirmou também que “criticar Israel não é ser anti-semita” e abaixo você assiste ao seu depoimento (em inglês) sobre o colapso moral da sociedade israelense e da comunidade judaica mundial.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Entrevista a Alice Walker: “ATRAVESAR LOS CHECKPOINTS ISRAELÍES ES COMO VOLVER A LA ÉPOCA DE LA LUCHA POR LOS DERECHOS CIVILES EN ESTADOS UNIDOS”
7 Diciembre 2011, Rebelión http://www.rebelion.org (México)
Hanan Chehata
Middle East Monitor
Traducido del inglés para Rebelión por Beatriz Morales Bastos
La ganadora del Premio Pulitzer estadounidense, Alice Walker, participó como jurado en el Tribunal Russell sobre Palestina que tuvo lugar en Sudáfrica este año. Prolífica escritora de novelas, poesía y cuentos ha vendido más de 15 millones de libros, tanto de ficción como de no ficción, por todo el mundo. Aunque se la conoce sobre todo por la novela El color púrpura, también es una entregada activista política. La Dra. Hanan Chehata While de Middle East Monitor conversó con Alice Walker en Ciudad del Cabo para preguntarle por qué ha estado tan cercana de la causa palestina. A lo largo de la entrevista se hace evidente la similitud entre la lucha de liberación Palestina y la lucha afro-estadounidense durante la era de los derechos civiles. Expresa su creencia de que los “estadounidenses tienen el deber de ser activos en la defensa del pueblo palestino” y además propone que en las colonias ilegales pagadas por los contribuyentes estadounidenses sin ser conscientes de ello deberían vivir los palestinos a quienes pertenece la tierra y quienes deberían todos ellos “ir a casa”.
Hanan Chahata: ¿Cómo y por qué se vio implicada por primera vez en el activismo palestino ?
Alice Walker: Me casé con un judío, abogado, y estuvimos juntos durante la Guerra de los Seis Días [1967] y estábamos contentos porque entonces se asumía que Israel siempre era el desvalido y siempre el amenazado, por tanto nos encantaba que pudiera defenderse a sí mismo, bla, bla, bla. Pero no estábamos de acuerdo en relación a la cuestión de la tierra porque yo decía que tenían que devolverla inmediatamente. Yo decía, “de acuerdo, la guerra ha terminado, ahora devolvedles la tierra”. Él decía “no, ellos [los israelíes] necesitan esa tierra porque si no tienen la tierra los árabes, en general, bombardearán Israel”. Yo simplemente no me lo tragaba. Pensaba que si tomas la tierra de un pueblo les causas un daño, un perjuicio del que nunca se recuperará. Así que aquello despertó mi interés. Era consciente de las masacres de Sabra y Shatila [masacres en Beirut, 1982]; sabía que Golda Meir había afirmado que no existía eso de los palestinos, etc. Yo era una de las redactoras de Ms. Magazine y un editor judío de esta revista afirmaba que las mujeres afro-estadounidense eran antisemitas porque preguntábamos “¿qué hay de Palestina?”, “¿qué hay de las masacres?”, “¿que hay de la tierra?”. Así que escribí una obra, hace años, que todavía está en mi página web, hablando de por qué las personas de color en Estados Unidos deberían sentirse cercanas a la causa palestina y sentirse molestas cuando se decía que hacerlo era ser antisemita; aquello fue hacia 1983. Desde entonces he estado interesada. Me interesan tantas causas. Lo único que deseo es que la gente sea feliz y que tenga lo que necesita y sus hijos estén seguros y así, de algún modo, podrían ser cualquiera y hay otras zonas del mundo con las que me siento igual de implicada.
HC: Ha viajado a Gaza y a Cisjordania en varias ocasiones. ¿Puede hablarnos un poco de esos viajes y por qué decidió ir ?
AW: La primera vez que fui a Gaza fue en 2009 con la Operación Código Rosa [con mi buena amiga Medea Benjamin]. Cada invierno voy a México. Mientras estaba ahí en 2009 murió mi hermana y yo estaba muy disgustada. Entonces oí en las noticias que había una madre palestina que durante los bombardeos [israelíes] había perdido a cinco de sus hijas y que estaba inconsciente. Ya sabe cómo pasan a veces las cosas en tu propia vida, que estás vulnerable y devastada, y entonces oyes la historia de la tragedia de otra persona y esto simplemente tiene eco. Simplemente tenía que ir y decir a quien fuera que no estaba de acuerdo con ello. [Decirles que] Pago todo este dinero en impuestos, dinero que se utiliza para comprar estas bombas, pero yo nunca arrojaría una bomba sobre ti o sobre tus hijos. Fuimos poco después, una o dos semanas después. Fuimos en autobús desde el centro de El Cairo a través del Sinaí hasta Gaza. Estaba tan increíblemente devastado. Era tan alarmante. Hable con los psiquiatras y con algunos de los trabajadores que iban a tratar de curar a los niños. Sobre todo quería que las mujeres palestinas que habían perdido a sus hijos supieran que no todo el mundo en Estados Unidos aprobaba su sufrimiento. Así que esa fue la primera vez.
Después fui a Cisjordania para un evento “Ted X” en Ramala que fue maravilloso y luego también pasé una semana con un Festival Palestino que también fue maravilloso. Era como estar con mi tribu. Después de aquello [julio de 2011] hubo la Segunda Flotilla de la Libertad. Lo que me encantó de aquello fue que cada una de las personas que iba a bordo esta deseando dar todo lo que tenía. Era tan maravilloso, unas personas tan extraordinarias. Yo iba en el barco estadounidense, el Audacia de la Esperanza. El gobierno israelí obligó al gobierno griego [de donde iban a zarpar los barcos] a no dejarnos salir, pero fuimos de todos modos. Simplemente, nos largamos. Llegamos hasta diez millas a mar abierto y entonces vinieron con sus armas y nos obligaron a volver después de unas dos horas de tira y afloja
HC: Aquello fue increíblemente valiente teniendo en cuenta que ustedes sabían lo que había ocurrido con las personas que iba a bordo del Mavi Marmara durante la primera Flotilla de la Libertad [en mayo de 2010], cuando unos comandos israelíes dispararon y mataron a nueve pacifistas internacionales. No iban a ciegas, todos ustedes sabían lo mucho que estaban arriesgando.
AW: No creo que esto vaya a detener a nadie. Ni siquiera creo que tenga que ver con el valor. La humanidad (una parte de ella) está tan despierta y es tan consciente de que la vida es tan preciosa que una tiene que hacer cuando pueda para hacer que esto sea posible para otras personas, especialmente para los niños. Ellos no tienen voz ni voto en toda esta locura.
HC: A lo largo de los años usted ha sido abiertamente muy crítica con la política exterior estadounidenses. En 2003, en vísperas de la invasión de Iraq, fue detenida por traspasar una barrera policial a las afueras de la Casa Blanca durante una manifestación pacifista en contra de la invasión. Desde entonces Estados Unidos ha estado emprendiendo guerras y fomentándolas no sólo en Iraq sino también en Afganistán, Pakistán y muchos otros lugares en todo el mundo. ¿Cuál es su postura acerca de la actual política exterior estadounidenses en general?
AW: ¡Es desastrosa! Nos hemos ido empobreciendo y pronto seremos un país pobre. Ya estamos cerca de ser un país muy pobre y esto es verdaderamente chocante para la mayoría de los estadounidenses quienes de algún modo pensaban que no importaba cuánto dinero se gastara en la guerra, siempre se tendría en casa, lo cual es absurdo. Simplemente demuestra lo ciego que se puede llegar a ser si uno ha sido un privilegiado toda la vida y todo el mundo difiere de ti y uno consigue todo lo que quiere, y esto ha sido la vida en Estados Unidos para la clase media, la gente blanca.
HC: Durante las sesiones del Tribunal Russell en Ciudad del Cabo usted dijo algo acerca de que el lobby sionista controla el Congreso estadounidenses. ¿Puede explicarlo un poco más?
AW: [El primer ministro israelí Benjamin] Netanyahu vino hace poco a Estados Unidos [en mayo de 2011] y ofreció un discurso en el Congreso. Este es el hombre que bombardeó los sistemas de agua y de alcantarillado en Gaza, y que mató a todos esos jóvenes … Simplemente es un desastre y todos [los miembros del Congreso] se levantaron como títeres, sonrieron y aplaudieron, y le dieron ¡unas 30 ovaciones puestos en pie! Si eso no es una prueba del hecho de que todos ellos están controlados por el lobby sionista no sé que se necesita para demostrarlo.
El lobby sionista es extraordinariamente fuerte, pero sólo es tan fuerte como la ignorancia de la gente y yo tengo mucha fe en lo que está ocurriendo con el despertar del pueblo estadounidenses. Una vez que se despierten se pueden mover muy rápido como usted puede ver. La gente está verdaderamente harta de que se le ignore y de que se le trate como si tuvieran que contentarse con nimiedades mientras que los ricos y el gobierno que ellos han comprado los lleva a la ruina.
HC: Como activista de los derechos civiles usted debía de estar esperando el día en que una persona negra fuera presidente, pero acaba de explicar lo crítica que es con la política exterior estadounidense. ¿Cómo le parece que ha representado Barack Obama a las personas negras en Estados Unidos?
AW: Creo que fue ingenuo por nuestra parte pensar que podría hacer mucho con este sistema tan perverso [el gobierno estadounidense]. El trato dispensado a la población nativa, negra y pobre no lo hace particularmente recomendable. La base del gobierno estadounidense era el terrorismo; en gran medida eliminaron a los estadounidenses originarios y nos esclavizaron durante cientos de años. Hubo segregación. Yo nací en la segregación. Así que aunque estaba muy contenta de tenerlo porque pensaba que para los niños simplemente el hecho de ver a una persona negra positiva e inteligente era una forma de medicina, por lo mismo pienso que verlo eviscerado por sus enemigos no es bueno para nuestros niños.
HC: ¿Observa usted paralelismos entre el movimiento de los derechos civiles estadounidense y lo que están pasando hoy los palestinos?
AW: Sí, verdaderamente es muy similar. Es la conciencia en tanto que población subyugada de que las personas que están en el poder realmente no te consideran un ser humano. No los respetan. Hubo un periodo en nuestra historia en el que verdaderamente se decía que una persona negra era solo tres cuartas partes de una persona – el caso Dred Scott* [a mediado del siglo XVIII]. Cuando estuve en Cisjordania sentí especialmente la tensión de los palestinos que no podían entrar en Jerusalén, por ejemplo, y tenían que salir de la furgoneta. Hasta simplemente conducir por ahí era tenso. Nuestro chófer trató de llevarnos por algunas carreteras palestinas, pero por desgracia estaban bloqueadas, así que tuvimos que entrar en una gran autopista israelí y entonces estaba muy inquieto porque para él era ilegal conducir por una carretera “solo para israelíes”. Además existe un sistema de matrículas diferentes y así es todo. Sólo la arrogancia es increíble.
Mi compañero y yo entramos por el puente de Allenby Bridge y nos costó nueve horas, y calculo que nos vimos sometidos a una tercera parte de la arrogancia y odio que experimenta ahí el pueblo árabe por parte de los soldados israelíes. Era como volver atrás en el tiempo, ver a nuestra gente, a nuestras personas mayores y a nuestros padres tratados como a perros en cuanto trataban de hacer algo. No voy a tolerarlo. No puedo tolerarlo. No lo haré. Es lo mismo exactamente que nuestra lucha. Espero que los palestinos aprendan más acerca del movimiento de los derechos civiles en Estados Unidos porque sería muy útil entender cómo nuestro pueblo consiguió su libertad. En realidad la violencia no funciona. Es algo tan malo, aunque pueda parecerte bien, simplemente sale mal, así que hay que tener una estrategia diferente y es útil si se tiene una estrategia que también fortalece.
HC: ¿Qué pueden aprender los palestinos de la lucha sudafricana y del movimiento de los derechos civiles estadounidense en términos de como tener éxito en su propia lucha? ¿Es, por ejemplo, la campaña de boicot, desinversión y sanciones (BDS) la forma correcta de seguir adelante?
AW: Apoyo completamente la campaña de BDS. Francamente creo que es la mejor manera, sin lugar a dudas la mejor manera, porque al gobierno y al pueblo israelí verdaderamente les encanta el comercio y hacer dinero, así que todo lo que interfiera con ello cuando menos atraerá su atención.
HC: Una de mis citas favoritas de sus palabras es “El activismo es mi alquiler por vivir en este planeta”. Si la gente sólo tiene tiempo para dedicarlo a una causa, ¿por qué debería elegir el activismo por la causa palestina como su centro de actividad habiendo hoy en el mundo tantas otras causas importantes ?
AW: Eso depende de dónde sea uno. Creo que los estadounidenses tienen el deber de ser activos en defensa del pueblo palestino porque, sin saberlo, multitudes de estadounidenses han hecho un profundo daño a través de la compra de armas y dando tanto apoyo a Israel que la desigualdad es inmensa. La mayoría de los estadounidenses no tiene idea de que si pagan sus impuestos, el dinero irá a Israel y los israelíes tendrán piscinas mientras los niños en Palestina no tienen agua potable para beber. La mayoría de los estadounidenses no lo saben. Si lo supieran darían con la manera de tener voz y voto en el asunto.
HC: Parece que el público estadounidense se está dando cuenta poco a poco del hecho de que Estados Unidos envía más de 3.000 millones de dólares al año a Israel mientras que en casa hay niños estadounidenses que no se pueden pagar ropa, zapatos y comida.
AW: Es verdad. Los estadounidenses están empezando a saberlo ahora. Antes no nos habían escuchado; se lo dijimos, pero no nos escucharon, pero ahora tienen que hacerlo porque no tienen trabajo, han perdido sus casas y ven que el gobierno no es digno de confianza, por decir lo mínimo.
HC: Usted ha afirmado públicamente que Israel es el mayor terrorista en esta parte del mundo. ¿Qué le hizo afirmarlo?
AW: Tiene más armas nucleares y usan la idea de éstas como una amenaza para los pueblos vecinos. Y Estados Unidos lo apoya militarmente, de modo que incluso cuando no tiran activamente bombas (y, de hecho, tiran gran cantidad de ellas), simplemente el hecho de que tengan todas estas armas y de que tengan a Estados Unidos de respaldo significa que están aterrorizando a la gente. Ahora un terrorista es alguien que te aterroriza, así que si alguien manda drones a matar personas y a asustar a los vecinos, es un terrorista. ¡La guerra es terrorismo! Tratan de suavizarlo y afirman que no son terroristas y que todos los demás los son, pero es sumamente ridículo.
HC: ¿Hay algo que quiera decir a palestinos e israelíes?
AW: Estoy muy animada por el trabajo conjunto que he visto entre palestinos e israelíes. En ambos lados hay personas increíblemente valientes. Nosotros también lo tuvimos en el Sur [de Estados Unidos]. Tuvimos a varias personas blancas que vinieron a ayudarnos y es verdaderamente maravilloso ver la libertad de espíritu y la libertad del corazón de personas que en contra de toda la propaganda y de todo el horror, siguen estando juntas y hacen lo que hay que hacer; esto me hace muy feliz. En mi opinión, la única solución será que todos ellos tengan que vivir allí juntos y como a través de mis impuestos estoy pagando todas esas colonias, creo que todos los palestinos que están fuera ahora tienen un buen lugar en el que vivir y todos ellos deberían volver, trasladarse a esas colonias y vivir ahí felices y nadar en esas piscinas. No se trata de que “les permitan” hacerlo sino de que es su derecho. Nosotros pagamos estas colonias y dado que pagamos puedo decir, como contribuyente estadounidense, quién puede vivir en ellas y así digo a la hermana que vive con diez hijos como refugiada en alguna parte del mundo: “¡Ve a casa!”.
*El Caso Dred Scott fue una demanda judicial, crucial en la historia de los Estados Unidos, resuelta por el Tribunal Supremo de este país en 1857, por la cual se resolvió privar a todo habitante de ascendencia africana, fueran esclavos o no, del derecho a la ciudadanía y se le quitó al Congreso la autoridad de prohibir la esclavitud en territorios federales del país. (N. de la T.)
Fuente: http://www.middleeastmonitor.org.uk/resources/interviews/3104-alice-walker-qgoing-through-israeli-checkpoints-is-like-going-back-in-time-to-american-civil-rights-struggleq
Hanan Chehata
Middle East Monitor
Traducido del inglés para Rebelión por Beatriz Morales Bastos
La ganadora del Premio Pulitzer estadounidense, Alice Walker, participó como jurado en el Tribunal Russell sobre Palestina que tuvo lugar en Sudáfrica este año. Prolífica escritora de novelas, poesía y cuentos ha vendido más de 15 millones de libros, tanto de ficción como de no ficción, por todo el mundo. Aunque se la conoce sobre todo por la novela El color púrpura, también es una entregada activista política. La Dra. Hanan Chehata While de Middle East Monitor conversó con Alice Walker en Ciudad del Cabo para preguntarle por qué ha estado tan cercana de la causa palestina. A lo largo de la entrevista se hace evidente la similitud entre la lucha de liberación Palestina y la lucha afro-estadounidense durante la era de los derechos civiles. Expresa su creencia de que los “estadounidenses tienen el deber de ser activos en la defensa del pueblo palestino” y además propone que en las colonias ilegales pagadas por los contribuyentes estadounidenses sin ser conscientes de ello deberían vivir los palestinos a quienes pertenece la tierra y quienes deberían todos ellos “ir a casa”.
Hanan Chahata: ¿Cómo y por qué se vio implicada por primera vez en el activismo palestino ?
Alice Walker: Me casé con un judío, abogado, y estuvimos juntos durante la Guerra de los Seis Días [1967] y estábamos contentos porque entonces se asumía que Israel siempre era el desvalido y siempre el amenazado, por tanto nos encantaba que pudiera defenderse a sí mismo, bla, bla, bla. Pero no estábamos de acuerdo en relación a la cuestión de la tierra porque yo decía que tenían que devolverla inmediatamente. Yo decía, “de acuerdo, la guerra ha terminado, ahora devolvedles la tierra”. Él decía “no, ellos [los israelíes] necesitan esa tierra porque si no tienen la tierra los árabes, en general, bombardearán Israel”. Yo simplemente no me lo tragaba. Pensaba que si tomas la tierra de un pueblo les causas un daño, un perjuicio del que nunca se recuperará. Así que aquello despertó mi interés. Era consciente de las masacres de Sabra y Shatila [masacres en Beirut, 1982]; sabía que Golda Meir había afirmado que no existía eso de los palestinos, etc. Yo era una de las redactoras de Ms. Magazine y un editor judío de esta revista afirmaba que las mujeres afro-estadounidense eran antisemitas porque preguntábamos “¿qué hay de Palestina?”, “¿qué hay de las masacres?”, “¿que hay de la tierra?”. Así que escribí una obra, hace años, que todavía está en mi página web, hablando de por qué las personas de color en Estados Unidos deberían sentirse cercanas a la causa palestina y sentirse molestas cuando se decía que hacerlo era ser antisemita; aquello fue hacia 1983. Desde entonces he estado interesada. Me interesan tantas causas. Lo único que deseo es que la gente sea feliz y que tenga lo que necesita y sus hijos estén seguros y así, de algún modo, podrían ser cualquiera y hay otras zonas del mundo con las que me siento igual de implicada.
HC: Ha viajado a Gaza y a Cisjordania en varias ocasiones. ¿Puede hablarnos un poco de esos viajes y por qué decidió ir ?
AW: La primera vez que fui a Gaza fue en 2009 con la Operación Código Rosa [con mi buena amiga Medea Benjamin]. Cada invierno voy a México. Mientras estaba ahí en 2009 murió mi hermana y yo estaba muy disgustada. Entonces oí en las noticias que había una madre palestina que durante los bombardeos [israelíes] había perdido a cinco de sus hijas y que estaba inconsciente. Ya sabe cómo pasan a veces las cosas en tu propia vida, que estás vulnerable y devastada, y entonces oyes la historia de la tragedia de otra persona y esto simplemente tiene eco. Simplemente tenía que ir y decir a quien fuera que no estaba de acuerdo con ello. [Decirles que] Pago todo este dinero en impuestos, dinero que se utiliza para comprar estas bombas, pero yo nunca arrojaría una bomba sobre ti o sobre tus hijos. Fuimos poco después, una o dos semanas después. Fuimos en autobús desde el centro de El Cairo a través del Sinaí hasta Gaza. Estaba tan increíblemente devastado. Era tan alarmante. Hable con los psiquiatras y con algunos de los trabajadores que iban a tratar de curar a los niños. Sobre todo quería que las mujeres palestinas que habían perdido a sus hijos supieran que no todo el mundo en Estados Unidos aprobaba su sufrimiento. Así que esa fue la primera vez.
Después fui a Cisjordania para un evento “Ted X” en Ramala que fue maravilloso y luego también pasé una semana con un Festival Palestino que también fue maravilloso. Era como estar con mi tribu. Después de aquello [julio de 2011] hubo la Segunda Flotilla de la Libertad. Lo que me encantó de aquello fue que cada una de las personas que iba a bordo esta deseando dar todo lo que tenía. Era tan maravilloso, unas personas tan extraordinarias. Yo iba en el barco estadounidense, el Audacia de la Esperanza. El gobierno israelí obligó al gobierno griego [de donde iban a zarpar los barcos] a no dejarnos salir, pero fuimos de todos modos. Simplemente, nos largamos. Llegamos hasta diez millas a mar abierto y entonces vinieron con sus armas y nos obligaron a volver después de unas dos horas de tira y afloja
HC: Aquello fue increíblemente valiente teniendo en cuenta que ustedes sabían lo que había ocurrido con las personas que iba a bordo del Mavi Marmara durante la primera Flotilla de la Libertad [en mayo de 2010], cuando unos comandos israelíes dispararon y mataron a nueve pacifistas internacionales. No iban a ciegas, todos ustedes sabían lo mucho que estaban arriesgando.
AW: No creo que esto vaya a detener a nadie. Ni siquiera creo que tenga que ver con el valor. La humanidad (una parte de ella) está tan despierta y es tan consciente de que la vida es tan preciosa que una tiene que hacer cuando pueda para hacer que esto sea posible para otras personas, especialmente para los niños. Ellos no tienen voz ni voto en toda esta locura.
HC: A lo largo de los años usted ha sido abiertamente muy crítica con la política exterior estadounidenses. En 2003, en vísperas de la invasión de Iraq, fue detenida por traspasar una barrera policial a las afueras de la Casa Blanca durante una manifestación pacifista en contra de la invasión. Desde entonces Estados Unidos ha estado emprendiendo guerras y fomentándolas no sólo en Iraq sino también en Afganistán, Pakistán y muchos otros lugares en todo el mundo. ¿Cuál es su postura acerca de la actual política exterior estadounidenses en general?
AW: ¡Es desastrosa! Nos hemos ido empobreciendo y pronto seremos un país pobre. Ya estamos cerca de ser un país muy pobre y esto es verdaderamente chocante para la mayoría de los estadounidenses quienes de algún modo pensaban que no importaba cuánto dinero se gastara en la guerra, siempre se tendría en casa, lo cual es absurdo. Simplemente demuestra lo ciego que se puede llegar a ser si uno ha sido un privilegiado toda la vida y todo el mundo difiere de ti y uno consigue todo lo que quiere, y esto ha sido la vida en Estados Unidos para la clase media, la gente blanca.
HC: Durante las sesiones del Tribunal Russell en Ciudad del Cabo usted dijo algo acerca de que el lobby sionista controla el Congreso estadounidenses. ¿Puede explicarlo un poco más?
AW: [El primer ministro israelí Benjamin] Netanyahu vino hace poco a Estados Unidos [en mayo de 2011] y ofreció un discurso en el Congreso. Este es el hombre que bombardeó los sistemas de agua y de alcantarillado en Gaza, y que mató a todos esos jóvenes … Simplemente es un desastre y todos [los miembros del Congreso] se levantaron como títeres, sonrieron y aplaudieron, y le dieron ¡unas 30 ovaciones puestos en pie! Si eso no es una prueba del hecho de que todos ellos están controlados por el lobby sionista no sé que se necesita para demostrarlo.
El lobby sionista es extraordinariamente fuerte, pero sólo es tan fuerte como la ignorancia de la gente y yo tengo mucha fe en lo que está ocurriendo con el despertar del pueblo estadounidenses. Una vez que se despierten se pueden mover muy rápido como usted puede ver. La gente está verdaderamente harta de que se le ignore y de que se le trate como si tuvieran que contentarse con nimiedades mientras que los ricos y el gobierno que ellos han comprado los lleva a la ruina.
HC: Como activista de los derechos civiles usted debía de estar esperando el día en que una persona negra fuera presidente, pero acaba de explicar lo crítica que es con la política exterior estadounidense. ¿Cómo le parece que ha representado Barack Obama a las personas negras en Estados Unidos?
AW: Creo que fue ingenuo por nuestra parte pensar que podría hacer mucho con este sistema tan perverso [el gobierno estadounidense]. El trato dispensado a la población nativa, negra y pobre no lo hace particularmente recomendable. La base del gobierno estadounidense era el terrorismo; en gran medida eliminaron a los estadounidenses originarios y nos esclavizaron durante cientos de años. Hubo segregación. Yo nací en la segregación. Así que aunque estaba muy contenta de tenerlo porque pensaba que para los niños simplemente el hecho de ver a una persona negra positiva e inteligente era una forma de medicina, por lo mismo pienso que verlo eviscerado por sus enemigos no es bueno para nuestros niños.
HC: ¿Observa usted paralelismos entre el movimiento de los derechos civiles estadounidense y lo que están pasando hoy los palestinos?
AW: Sí, verdaderamente es muy similar. Es la conciencia en tanto que población subyugada de que las personas que están en el poder realmente no te consideran un ser humano. No los respetan. Hubo un periodo en nuestra historia en el que verdaderamente se decía que una persona negra era solo tres cuartas partes de una persona – el caso Dred Scott* [a mediado del siglo XVIII]. Cuando estuve en Cisjordania sentí especialmente la tensión de los palestinos que no podían entrar en Jerusalén, por ejemplo, y tenían que salir de la furgoneta. Hasta simplemente conducir por ahí era tenso. Nuestro chófer trató de llevarnos por algunas carreteras palestinas, pero por desgracia estaban bloqueadas, así que tuvimos que entrar en una gran autopista israelí y entonces estaba muy inquieto porque para él era ilegal conducir por una carretera “solo para israelíes”. Además existe un sistema de matrículas diferentes y así es todo. Sólo la arrogancia es increíble.
Mi compañero y yo entramos por el puente de Allenby Bridge y nos costó nueve horas, y calculo que nos vimos sometidos a una tercera parte de la arrogancia y odio que experimenta ahí el pueblo árabe por parte de los soldados israelíes. Era como volver atrás en el tiempo, ver a nuestra gente, a nuestras personas mayores y a nuestros padres tratados como a perros en cuanto trataban de hacer algo. No voy a tolerarlo. No puedo tolerarlo. No lo haré. Es lo mismo exactamente que nuestra lucha. Espero que los palestinos aprendan más acerca del movimiento de los derechos civiles en Estados Unidos porque sería muy útil entender cómo nuestro pueblo consiguió su libertad. En realidad la violencia no funciona. Es algo tan malo, aunque pueda parecerte bien, simplemente sale mal, así que hay que tener una estrategia diferente y es útil si se tiene una estrategia que también fortalece.
HC: ¿Qué pueden aprender los palestinos de la lucha sudafricana y del movimiento de los derechos civiles estadounidense en términos de como tener éxito en su propia lucha? ¿Es, por ejemplo, la campaña de boicot, desinversión y sanciones (BDS) la forma correcta de seguir adelante?
AW: Apoyo completamente la campaña de BDS. Francamente creo que es la mejor manera, sin lugar a dudas la mejor manera, porque al gobierno y al pueblo israelí verdaderamente les encanta el comercio y hacer dinero, así que todo lo que interfiera con ello cuando menos atraerá su atención.
HC: Una de mis citas favoritas de sus palabras es “El activismo es mi alquiler por vivir en este planeta”. Si la gente sólo tiene tiempo para dedicarlo a una causa, ¿por qué debería elegir el activismo por la causa palestina como su centro de actividad habiendo hoy en el mundo tantas otras causas importantes ?
AW: Eso depende de dónde sea uno. Creo que los estadounidenses tienen el deber de ser activos en defensa del pueblo palestino porque, sin saberlo, multitudes de estadounidenses han hecho un profundo daño a través de la compra de armas y dando tanto apoyo a Israel que la desigualdad es inmensa. La mayoría de los estadounidenses no tiene idea de que si pagan sus impuestos, el dinero irá a Israel y los israelíes tendrán piscinas mientras los niños en Palestina no tienen agua potable para beber. La mayoría de los estadounidenses no lo saben. Si lo supieran darían con la manera de tener voz y voto en el asunto.
HC: Parece que el público estadounidense se está dando cuenta poco a poco del hecho de que Estados Unidos envía más de 3.000 millones de dólares al año a Israel mientras que en casa hay niños estadounidenses que no se pueden pagar ropa, zapatos y comida.
AW: Es verdad. Los estadounidenses están empezando a saberlo ahora. Antes no nos habían escuchado; se lo dijimos, pero no nos escucharon, pero ahora tienen que hacerlo porque no tienen trabajo, han perdido sus casas y ven que el gobierno no es digno de confianza, por decir lo mínimo.
HC: Usted ha afirmado públicamente que Israel es el mayor terrorista en esta parte del mundo. ¿Qué le hizo afirmarlo?
AW: Tiene más armas nucleares y usan la idea de éstas como una amenaza para los pueblos vecinos. Y Estados Unidos lo apoya militarmente, de modo que incluso cuando no tiran activamente bombas (y, de hecho, tiran gran cantidad de ellas), simplemente el hecho de que tengan todas estas armas y de que tengan a Estados Unidos de respaldo significa que están aterrorizando a la gente. Ahora un terrorista es alguien que te aterroriza, así que si alguien manda drones a matar personas y a asustar a los vecinos, es un terrorista. ¡La guerra es terrorismo! Tratan de suavizarlo y afirman que no son terroristas y que todos los demás los son, pero es sumamente ridículo.
HC: ¿Hay algo que quiera decir a palestinos e israelíes?
AW: Estoy muy animada por el trabajo conjunto que he visto entre palestinos e israelíes. En ambos lados hay personas increíblemente valientes. Nosotros también lo tuvimos en el Sur [de Estados Unidos]. Tuvimos a varias personas blancas que vinieron a ayudarnos y es verdaderamente maravilloso ver la libertad de espíritu y la libertad del corazón de personas que en contra de toda la propaganda y de todo el horror, siguen estando juntas y hacen lo que hay que hacer; esto me hace muy feliz. En mi opinión, la única solución será que todos ellos tengan que vivir allí juntos y como a través de mis impuestos estoy pagando todas esas colonias, creo que todos los palestinos que están fuera ahora tienen un buen lugar en el que vivir y todos ellos deberían volver, trasladarse a esas colonias y vivir ahí felices y nadar en esas piscinas. No se trata de que “les permitan” hacerlo sino de que es su derecho. Nosotros pagamos estas colonias y dado que pagamos puedo decir, como contribuyente estadounidense, quién puede vivir en ellas y así digo a la hermana que vive con diez hijos como refugiada en alguna parte del mundo: “¡Ve a casa!”.
*El Caso Dred Scott fue una demanda judicial, crucial en la historia de los Estados Unidos, resuelta por el Tribunal Supremo de este país en 1857, por la cual se resolvió privar a todo habitante de ascendencia africana, fueran esclavos o no, del derecho a la ciudadanía y se le quitó al Congreso la autoridad de prohibir la esclavitud en territorios federales del país. (N. de la T.)
Fuente: http://www.middleeastmonitor.org.uk/resources/interviews/3104-alice-walker-qgoing-through-israeli-checkpoints-is-like-going-back-in-time-to-american-civil-rights-struggleq
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
DIA MUNDIAL DE SOLIDARIEDADE: O FUTEBOL NA PALESTINA SOB OCUPAÇÃO
29 Novembro 2011, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
No dia Internacional de Solidariedade à Palestina, emocione-se com o documentário brasileiro "Campo da Paz" sobre as dificuldades do futebol no país sob ocupação. O filme entrevista jogadores, técnicos e dirigentes do futebol Palestino e mostra a formação de uma seleção de garotos de 13 a 17 para representar, simbolicamente, a Palestina na Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014. A narração é de Lázaro Ramos.
Com imagens belíssimas do país e flashes de uma nítida paixão pelo futebol, o trailer comove pela sua sensibilidade e delicadeza.
"Os fuzis estão voltados para nós e nós respondemos com mensagens de amor e paz para o mundo. Jogamos com a bola que rola sem conhecer barreiras que a façam parar. Ela está sempre rodando e nós estaremos sempre a acompanhando. Que essa bola transmita amizade e paz para os campos de todas as nações", poetisa Rukaya Taktori, dirigente da seleção feminina de futebol.
Ao final do vídeo, um senhor simpático chama Maradona de "tolo". Não se sabe ao certo porque um ídolo do futebol mundial, eterno defensor do socialismo e da Palestina, recebe a crítica, mesmo que de maneira bem humorada. Certo é que tolice ou loucura não marcam gols no campo da paz.
A TV Vermelho agradece a dica deste vídeo a Rubens Diniz, do Cebrapaz. Colabore você também enviando suas dicas de vídeo para tvvermelho@vermelho.org.br.
Ficha técnica:
Campo da Paz
Roteiro e Direção: Gilmar Rodrigues
Produção: Bettine Silveira
Coordenação de Produção: Hasan Zarif
Direção de Fotografia: Ding Musa
Montagem: Thiago Andries
Narração: Lázaro Ramos
Trilha: BNegão e Rodrigues
Edição de Som: Filipe Pires e Rocha Estúdio.
Veja mais:
Estado da Palestina Já: a história de 200 anos em 2 minutos
Leia mais:
Brasil celebra Dia Internacional de Solidariedade à Palestina
Entidades fazem ato por Estado da Palestina Já
No dia Internacional de Solidariedade à Palestina, emocione-se com o documentário brasileiro "Campo da Paz" sobre as dificuldades do futebol no país sob ocupação. O filme entrevista jogadores, técnicos e dirigentes do futebol Palestino e mostra a formação de uma seleção de garotos de 13 a 17 para representar, simbolicamente, a Palestina na Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014. A narração é de Lázaro Ramos.
Com imagens belíssimas do país e flashes de uma nítida paixão pelo futebol, o trailer comove pela sua sensibilidade e delicadeza.
"Os fuzis estão voltados para nós e nós respondemos com mensagens de amor e paz para o mundo. Jogamos com a bola que rola sem conhecer barreiras que a façam parar. Ela está sempre rodando e nós estaremos sempre a acompanhando. Que essa bola transmita amizade e paz para os campos de todas as nações", poetisa Rukaya Taktori, dirigente da seleção feminina de futebol.
Ao final do vídeo, um senhor simpático chama Maradona de "tolo". Não se sabe ao certo porque um ídolo do futebol mundial, eterno defensor do socialismo e da Palestina, recebe a crítica, mesmo que de maneira bem humorada. Certo é que tolice ou loucura não marcam gols no campo da paz.
A TV Vermelho agradece a dica deste vídeo a Rubens Diniz, do Cebrapaz. Colabore você também enviando suas dicas de vídeo para tvvermelho@vermelho.org.br.
Ficha técnica:
Campo da Paz
Roteiro e Direção: Gilmar Rodrigues
Produção: Bettine Silveira
Coordenação de Produção: Hasan Zarif
Direção de Fotografia: Ding Musa
Montagem: Thiago Andries
Narração: Lázaro Ramos
Trilha: BNegão e Rodrigues
Edição de Som: Filipe Pires e Rocha Estúdio.
Veja mais:
Estado da Palestina Já: a história de 200 anos em 2 minutos
Leia mais:
Brasil celebra Dia Internacional de Solidariedade à Palestina
Entidades fazem ato por Estado da Palestina Já
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Tell JNF to Cease its Practice of Ethnic Cleansing
23 November 2011, Rav Shalom http://rabbibrant.com (USA)
Rabbi Brant Rosen
(The Sumarin Family/Photo by: Michal Fattal)
From the newly formed Campaign for Bedouin – Jewish Justice in Israel (a joint project of Rabbis for Human Rights-North America and the Jewish Alliance for Change):
While many of us will be gathering with our loved ones to celebrate Thanksgiving, the Sumarin family will be anxiously sitting on suitcases and wondering whether they will have a home in another week.
The Sumarins, a Palestinian family of twelve, including five children, a pregnant mother, and a grandfather on dialysis, have lived in their home for more than forty years in the East Jerusalem neighborhood of Silwan.
On Monday, November 28th, they will be evicted from their home – unless we raise our voices now.
We’re deeply troubled that a wholly-owned subsidiary of the Jewish National Fund in Israel, called Himnuta, is behind this move.
To expel this family is a violation of both Jewish and human rights law. And it risks inflaming Arab-Jewish tensions in Jerusalem, further undermining the hope for Israeli-Palestinian peace.
Send a message now to JNF CEO Russell Robinson and urge him to stop JNF’s Himnuta from expelling the Sumarin family from their home.
The Silwan neighborhood has long been a flash point in the struggle over land in and around the Old City of Jerusalem and the site of clashes between Jews and Palestinians.
Twenty years ago, an ultra-nationalist Israeli government bent on expanding Jewish control in East Jerusalem took legal possession of the Sumarin home, along with other Arab properties in Silwan. The government transferred the Sumarins’ home to JNF’s Himnuta, along with seven other houses in Silwan.
Himnuta then turned its other East Jerusalem properties over to ELAD, a group whose explicit political agenda is to expropriate Palestinian homes and land in Silwan and transfer them to the control of Jewish settlers. There is every reason to expect that the Sumarins’ home will also end up in ELAD’s hands.
How has the Israeli government used the law to expropriate Palestinian property and land in East Jerusalem for Jewish settlers?Go here for the story.
Remind JNF CEO Russell Robinson that “legal” does not mean “just.” The many anti-democratic and anti-Arab laws recently passed by the Knesset add yet more tragic testimony of the ways law can be used for injustice.
This will not be the last expulsion of a Palestinian family from Silwan by JNF’s Himnuta or ELAD. Other families are facing the same threat.
Tell JNF CEO Russell Robinson: It’s time to end JNF’s role in expulsions or demolitions of Palestinian and Bedouin homes, whether in the Negev or East Jerusalem.
For more information, see this recent article in Ha’aretz and this post from Sheikh Jarrah Solidarity.
Rabbi Brant Rosen
(The Sumarin Family/Photo by: Michal Fattal)
From the newly formed Campaign for Bedouin – Jewish Justice in Israel (a joint project of Rabbis for Human Rights-North America and the Jewish Alliance for Change):
While many of us will be gathering with our loved ones to celebrate Thanksgiving, the Sumarin family will be anxiously sitting on suitcases and wondering whether they will have a home in another week.
The Sumarins, a Palestinian family of twelve, including five children, a pregnant mother, and a grandfather on dialysis, have lived in their home for more than forty years in the East Jerusalem neighborhood of Silwan.
On Monday, November 28th, they will be evicted from their home – unless we raise our voices now.
We’re deeply troubled that a wholly-owned subsidiary of the Jewish National Fund in Israel, called Himnuta, is behind this move.
To expel this family is a violation of both Jewish and human rights law. And it risks inflaming Arab-Jewish tensions in Jerusalem, further undermining the hope for Israeli-Palestinian peace.
Send a message now to JNF CEO Russell Robinson and urge him to stop JNF’s Himnuta from expelling the Sumarin family from their home.
The Silwan neighborhood has long been a flash point in the struggle over land in and around the Old City of Jerusalem and the site of clashes between Jews and Palestinians.
Twenty years ago, an ultra-nationalist Israeli government bent on expanding Jewish control in East Jerusalem took legal possession of the Sumarin home, along with other Arab properties in Silwan. The government transferred the Sumarins’ home to JNF’s Himnuta, along with seven other houses in Silwan.
Himnuta then turned its other East Jerusalem properties over to ELAD, a group whose explicit political agenda is to expropriate Palestinian homes and land in Silwan and transfer them to the control of Jewish settlers. There is every reason to expect that the Sumarins’ home will also end up in ELAD’s hands.
How has the Israeli government used the law to expropriate Palestinian property and land in East Jerusalem for Jewish settlers?Go here for the story.
Remind JNF CEO Russell Robinson that “legal” does not mean “just.” The many anti-democratic and anti-Arab laws recently passed by the Knesset add yet more tragic testimony of the ways law can be used for injustice.
This will not be the last expulsion of a Palestinian family from Silwan by JNF’s Himnuta or ELAD. Other families are facing the same threat.
Tell JNF CEO Russell Robinson: It’s time to end JNF’s role in expulsions or demolitions of Palestinian and Bedouin homes, whether in the Negev or East Jerusalem.
For more information, see this recent article in Ha’aretz and this post from Sheikh Jarrah Solidarity.
domingo, 20 de novembro de 2011
EN LA LISTA DE LA VERGÜENZA
20 noviembre 2011, Rebelión http://www.rebelion.org (México)
Anna Mahjar-Barducci*
Haaretz Traducido para Rebelión por J. M. y revisado por Caty R.
Aunque Israel es su tierra natal, y aunque lo más probable es que quiera servir en su ejército, a mi hija se le niega uno de los más elementales derechos humanos, como el derecho a casarse en su propio país.
Al menos, uno de los principales obstáculos impide que todos los ciudadanos israelíes disfruten de la igualdad de derechos: la ausencia de matrimonio civil. Hay cientos de miles de israelíes "que carecen de filiación religiosa" que no pueden casarse en su propio país, donde nacieron y se criaron. Mi hija es una de ellas.
Mi hija nació en Jerusalén y asiste a una escuela de lengua hebrea. Su padre es un judío israelí. Pero como yo no soy judía y no me identifico con una religión en particular, en su certificado de nacimiento dice que nuestra hija es "sin filiación religiosa”. Cuando nació, el Ministerio del Interior israelí ni siquiera quiso reconocer a nuestra hija como ciudadana israelí. A fin de que mi marido pudiera dar su apellido a la niña, el Ministerio exigió la prueba extrema, la de ADN (a nuestro costo) para demostrar su paternidad.
Mientras a mi hija se le concedió la condición de ciudadana y lleva el apellido de su padre, su partida de nacimiento aún se esfuerza en recalcar que no es judía y no forma parte de la nación judía.
En la década del 60, el israelí Benjamín Shalit, que estaba casado con una mujer cristiana, trataba de registrar a sus hijos en el Ministerio del Interior como sin afiliación religiosa, pero judío por su origen étnico (le'om). El oficial del registro, sin embargo, se negó a escribir eso. Shalit llevó el caso a la Corte Suprema, que falló a su favor. Sin embargo, como la decisión generó controversia, en los años 70, en una enmienda aprobada en la Knesset que indica que sólo alguien considerado judío por la Halajá (ley religiosa) puede ser étnicamente judío. Esta es la razón por la cual mi hija, a pesar de ser hija de un judío israelí, carece de filiación étnica y religiosa.
Esto significa que aunque Israel es su tierra natal, y aunque lo más probable es que le gustaría servir en su ejército, a mi hija se le niega uno de los más elementales derechos humanos, como el derecho a casarse en su propio país.
Cada día, al llevar a mi hija a dar un paseo en el Parque de la Independencia de Jerusalén, me encuentro con otras madres nacidas en el extranjero y casadas con judíos israelíes, y cuyos hijos están en la misma situación. Algunos de estos niños tienen los ojos asiáticos, mientras que otros tienen la piel de color chocolate o las mejillas como las muñecas babushka, pero todos son niños israelíes. Su país, sin embargo, se niega a aceptarlos como propios y a tratarlos como ciudadanos iguales.
El Convenio para los esponsales de personas que carecen de afiliación religiosa, aprobado por la Knesset en 2010, fue promocionado como una solución al problema, pero en realidad es sólo una manera vergonzosa de evadir y encarar el tema. La ley permite a las parejas formar una unión civil, pero sólo cuando ambos cónyuges carecen de afiliación religiosa. La ley básicamente establece que esas personas pueden casarse con otros de su calaña, pero no se deben "mezclar" con los judíos. La única manera de evitar esto es ir al extranjero para casarse. Por lo tanto, en lugar de ser un paso en la dirección correcta, sólo refuerza el carácter sectario de la sociedad israelí.
El único recurso que queda para las parejas mixtas en Israel es ir al extranjero para casarse. Cada año, miles de israelíes viajan a Chipre, la isla de Venus, para ejercer el derecho básico de casarse con la persona que aman. Como cuestión de hecho, el fracaso de Israel para implementar el matrimonio civil es una clara violación del artículo 16 de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, que establece que "los hombres y mujeres mayores de edad, sin restricción alguna por motivos de raza, nacionalidad o religión, tienen el derecho a casarse y fundar una familia”. Cuando fuimos a Chipre para casarnos, mi marido y yo conocimos a otras parejas que habían llegado con el mismo propósito, incluyendo algunas parejas de libaneses que, como nosotros, no podían casarse en su propia tierra. La ausencia de matrimonio civil, una clara violación de las libertades civiles, es una característica de los países conocidos por su falta de respeto a los derechos humanos, como Siria, Líbano, Arabia Saudí, Yemen e Irán. Israel no debería estar en la lista de la vergüenza. Pero mientras los ciudadanos no actúen para cambiar la situación, por desgracia, se mantendrá.
*Anna Mahjar-Barducci, es una periodista y escritora italiana-marroquí. Es la presidenta del Partido Asociación Árabe Liberal y Democrática con sede en Roma, que promueve las libertades civiles y la integración de los inmigrantes en Europa.
Anna Mahjar-Barducci*
Haaretz Traducido para Rebelión por J. M. y revisado por Caty R.
Aunque Israel es su tierra natal, y aunque lo más probable es que quiera servir en su ejército, a mi hija se le niega uno de los más elementales derechos humanos, como el derecho a casarse en su propio país.
Al menos, uno de los principales obstáculos impide que todos los ciudadanos israelíes disfruten de la igualdad de derechos: la ausencia de matrimonio civil. Hay cientos de miles de israelíes "que carecen de filiación religiosa" que no pueden casarse en su propio país, donde nacieron y se criaron. Mi hija es una de ellas.
Mi hija nació en Jerusalén y asiste a una escuela de lengua hebrea. Su padre es un judío israelí. Pero como yo no soy judía y no me identifico con una religión en particular, en su certificado de nacimiento dice que nuestra hija es "sin filiación religiosa”. Cuando nació, el Ministerio del Interior israelí ni siquiera quiso reconocer a nuestra hija como ciudadana israelí. A fin de que mi marido pudiera dar su apellido a la niña, el Ministerio exigió la prueba extrema, la de ADN (a nuestro costo) para demostrar su paternidad.
Mientras a mi hija se le concedió la condición de ciudadana y lleva el apellido de su padre, su partida de nacimiento aún se esfuerza en recalcar que no es judía y no forma parte de la nación judía.
En la década del 60, el israelí Benjamín Shalit, que estaba casado con una mujer cristiana, trataba de registrar a sus hijos en el Ministerio del Interior como sin afiliación religiosa, pero judío por su origen étnico (le'om). El oficial del registro, sin embargo, se negó a escribir eso. Shalit llevó el caso a la Corte Suprema, que falló a su favor. Sin embargo, como la decisión generó controversia, en los años 70, en una enmienda aprobada en la Knesset que indica que sólo alguien considerado judío por la Halajá (ley religiosa) puede ser étnicamente judío. Esta es la razón por la cual mi hija, a pesar de ser hija de un judío israelí, carece de filiación étnica y religiosa.
Esto significa que aunque Israel es su tierra natal, y aunque lo más probable es que le gustaría servir en su ejército, a mi hija se le niega uno de los más elementales derechos humanos, como el derecho a casarse en su propio país.
Cada día, al llevar a mi hija a dar un paseo en el Parque de la Independencia de Jerusalén, me encuentro con otras madres nacidas en el extranjero y casadas con judíos israelíes, y cuyos hijos están en la misma situación. Algunos de estos niños tienen los ojos asiáticos, mientras que otros tienen la piel de color chocolate o las mejillas como las muñecas babushka, pero todos son niños israelíes. Su país, sin embargo, se niega a aceptarlos como propios y a tratarlos como ciudadanos iguales.
El Convenio para los esponsales de personas que carecen de afiliación religiosa, aprobado por la Knesset en 2010, fue promocionado como una solución al problema, pero en realidad es sólo una manera vergonzosa de evadir y encarar el tema. La ley permite a las parejas formar una unión civil, pero sólo cuando ambos cónyuges carecen de afiliación religiosa. La ley básicamente establece que esas personas pueden casarse con otros de su calaña, pero no se deben "mezclar" con los judíos. La única manera de evitar esto es ir al extranjero para casarse. Por lo tanto, en lugar de ser un paso en la dirección correcta, sólo refuerza el carácter sectario de la sociedad israelí.
El único recurso que queda para las parejas mixtas en Israel es ir al extranjero para casarse. Cada año, miles de israelíes viajan a Chipre, la isla de Venus, para ejercer el derecho básico de casarse con la persona que aman. Como cuestión de hecho, el fracaso de Israel para implementar el matrimonio civil es una clara violación del artículo 16 de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, que establece que "los hombres y mujeres mayores de edad, sin restricción alguna por motivos de raza, nacionalidad o religión, tienen el derecho a casarse y fundar una familia”. Cuando fuimos a Chipre para casarnos, mi marido y yo conocimos a otras parejas que habían llegado con el mismo propósito, incluyendo algunas parejas de libaneses que, como nosotros, no podían casarse en su propia tierra. La ausencia de matrimonio civil, una clara violación de las libertades civiles, es una característica de los países conocidos por su falta de respeto a los derechos humanos, como Siria, Líbano, Arabia Saudí, Yemen e Irán. Israel no debería estar en la lista de la vergüenza. Pero mientras los ciudadanos no actúen para cambiar la situación, por desgracia, se mantendrá.
*Anna Mahjar-Barducci, es una periodista y escritora italiana-marroquí. Es la presidenta del Partido Asociación Árabe Liberal y Democrática con sede en Roma, que promueve las libertades civiles y la integración de los inmigrantes en Europa.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Documentário: “DIFAMAÇÃO: A INDÚSTRIA DO ANTISSEMITISMO”
3 novembro 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
Assim como Norman Finkelstein, um professor estadunidense (e judeu) escreveu um livro no qual expõe como funciona o que ele chama de “A indústria do holocausto”, Yoav Shamir, um cineasta israelense (e judeu), realizou o filme documentário Defamation (Difamação) que revela o que poderíamos chamar de “A indústria do antissemitismo”.
Por Yoav Shamir, no Redecastorphoto
Trata-se de um filme imprescindível para entender os interesses que movimentam essa “indústria”.
A verdade, como podemos depreender deste documentário, é que o antissemitismo passou a ser a fonte de riqueza e poder para muitos grupos oriundos das comunidades judaicas estadunidenses que, aliados aos interesses da extrema direita israelense, não desejam seu fim, nem seu abrandamento.
Muito pelo contrário, para desfrutar de seus privilégios (e para justificar suas políticas antipalestinas, no caso de Israel), esses grupos procuram fazer de tudo para que o antissemitismo nunca deixe de estar em pauta.
Se não houver mais o perigo real (como o documentário nos dá a entender que é o que ocorre na prática), é preciso recriá-lo através de todos os mecanismos emocionais possíveis.
O documentário também deixa claro que há muitos judeus, religiosos ou não, que não concordam com a manipulação do sofrimento de seus antepassados para o benefício espúrio de grupos de poder da atualidade.
Assistam o filme:
Assim como Norman Finkelstein, um professor estadunidense (e judeu) escreveu um livro no qual expõe como funciona o que ele chama de “A indústria do holocausto”, Yoav Shamir, um cineasta israelense (e judeu), realizou o filme documentário Defamation (Difamação) que revela o que poderíamos chamar de “A indústria do antissemitismo”.
Por Yoav Shamir, no Redecastorphoto
Trata-se de um filme imprescindível para entender os interesses que movimentam essa “indústria”.
A verdade, como podemos depreender deste documentário, é que o antissemitismo passou a ser a fonte de riqueza e poder para muitos grupos oriundos das comunidades judaicas estadunidenses que, aliados aos interesses da extrema direita israelense, não desejam seu fim, nem seu abrandamento.
Muito pelo contrário, para desfrutar de seus privilégios (e para justificar suas políticas antipalestinas, no caso de Israel), esses grupos procuram fazer de tudo para que o antissemitismo nunca deixe de estar em pauta.
Se não houver mais o perigo real (como o documentário nos dá a entender que é o que ocorre na prática), é preciso recriá-lo através de todos os mecanismos emocionais possíveis.
O documentário também deixa claro que há muitos judeus, religiosos ou não, que não concordam com a manipulação do sofrimento de seus antepassados para o benefício espúrio de grupos de poder da atualidade.
Assistam o filme:
terça-feira, 16 de agosto de 2011
LA EDUCACIÓN EN CHILE Y EL HOLOCAUSTO PALESTINO
16 julio 2011/Rebelión http://www.rebelion.org (México)
Revisado por Caty R.
Nelly Marzouka
"Cada país puede absorber solamente un número limitado de judíos si no quiere tener problemas estomacales. Alemania ya tiene demasiados judíos".
(Chaim Weizmann. Jefe de la Organización Sionista Mundial)
“Si la colonización de Palestina se ha caracterizado por una serie de expolios, debemos detenernos a examinar la actitud del movimiento sionista no sólo para con sus víctimas palestinas, sino también para con los propios judíos”.
(Ralph Schoenman. Historia oculta del sionismo, capítulo VI: El sionismo y los judíos)
En el transcurso de las marchas estudiantiles, el presidente del Colegio de Profesores, Jaime Gajardo, hizo un comentario en el que se preguntaba: “si Hinzpeter tiene alguna formación en alguna escuela de Israel, porque aquí se están repitiendo los mismos métodos con los que se ha reprimido actualmente a los jóvenes, que nos recuerdan los métodos sionistas del apartheid. Muchas de las herramientas, los recursos y las maneras que se utilizaron eran propias de los movimientos sionistas.
Acto seguido se originaron una serie de reclamos al Presidente del Colegio de Profesores en los que se le acusa de:
1.- “El señor Gajardo definitivamente es un fascista, al referirse con esas expresiones al pueblo israelí. Le exijo la renuncia. Sus disculpas posteriores no valen de nada después de las atrocidades que dijo y que son propias de un fascista (Gustavo Hasbún, diputado de UDI).
2.- “Dichos antisemitas” (Lorena Fries, Directora del Instituto Nacional de Derechos Humanos)
3.- “Ni siquiera ha habido un arrepentimiento en algo tan doloroso como la persecución judía. Los comentarios alusivos al pueblo judío hicieron perder ‘toda autoridad moral’ al dirigente (María José Hoffmann, Presidenta de la Comisión de Educación).
4.- “No se puede atacar a una persona por su religión. Escuchar al señor Gajardo es casi escuchar a Hitler en los peores momentos cuando todos sabemos lo que pasó después, que fue el Holocausto” (Lily Pérez, Senadora de RN).
Esta polémica surgida reiteradamente debido a la desinformación (o a una intencionada mala información), presente ahora en nuestro país a propósito de las expresiones del Presidente del Colegio de Profesores, amerita la siguiente información y análisis:
Antisionismo no es antisemitismo. Al contrario, el sionismo es una ideología política antisemita, “judeofóbica” y racista, tanto en sus postulados teóricos como en la práctica. El sionismo sostiene que todos los judíos son sionistas, sin respetar la opción de libre elección por parte de los judíos de otra ideología que no sea la sionista. El sionismo y el nazismo postulan que los judíos y los no judíos deben vivir separados. Otra de las muchas concordancias entre los nazis y los sionistas es la de identificar el judaísmo como una etnia y/o raza. Al contrario, ser judío es pertenecer a una de las grandes religiones monoteístas, con valores universales tales como el islam y el cristianismo
El término semita alude a una denominación bíblica de los pueblos que según la Biblia provienen de Sem, hijo de Noé, por eso los árabes y los antiguos hebreos son semitas. Cabe señalar que los antiguos hebreos que procedían de Ur, Caldea, o sea, Mesopotamia, transitaron durante el lapso de 73 años por Palestina (que ya estaba habitada por los cananeos, antecesores de los palestinos), como ya hemos dicho, también eran semitas. Pero no existe una cohesión nacional ni una continuidad histórica entre aquellos hebreos semitas bíblicos y los actuales invasores sionistas-israelíes cuyo origen étnico es europeo.
Afortunadamente, ya existen diversas personas y organizaciones de la comunidad religiosa judía, que no comulgan con esta ideología racista (definida así incluso por la ONU) que ha hecho tanto daño, no solo en cuanto a la limpieza étnica del pueblo palestino expulsando a la población nativa, negando su identidad, aniquilándola y manifestando “que se vayan a los países árabes”. Sino también a la propia comunidad religiosa judía, durante ese holocausto al aliarse con las alas fascistas y nazis en la consecución de su objetivo. El cual consistía únicamente en realizar una emigración masiva de europeos pertenecientes a la comunidad religiosa judía con el propósito de crear el Estado de Israel en 1948, en el lugar de la Palestina Histórica y no precisamente colaborar en el salvamento y ayuda de esta comunidad religiosa, que innegablemente fue perseguida al igual que otros colectivos, durante la Segunda Guerra Mundial. Israelita o israelí es el que pertenece al nuevo Estado de Israel, fundado sobre la base de la expulsión y exterminio del pueblo palestino. Es por ello que también el sionismo obliga y presiona para que todo judío considere este Estado como su Patria o “tierra prometida” y generar la Aliah o “retorno al país de sus supuestos antepasados bíblicos” de hace 2.000 años. Mientras los autóctonos dueños de la Palestina Histórica, languidecen en campos de refugiados ya sea en su propia tierra, en países árabes o exiliados y repartidos por todo el mundo, incluso en este lejano rincón del mundo, con el objeto de tornar cada vez más difícil que ejerzan su derecho al retorno amparado por el derecho internacional y las resoluciones de la ONU.
Resulta sumamente grave, serio y preocupante que personas que representan a diversas organizaciones, pasando desde la UDI, al Instituto de Derechos Humanos, que en lo que respecta al actual holocausto palestino nada expresan hacia el sufrimiento del semita pueblo palestino, continuando con la representante de la comisión de Educación, que confunde a la comunidad religiosa judía con la ideología sionista y a la senadora de RN que la condena hacia el sionismo como ideología que ha sido la causante de la limpieza étnica palestina, y por ende de la ausencia de paz en el mundo, resulta que le recuerda a Hitler, cuando justamente sionistas y nazis poseían y poseen coincidencias en su ideología y aplicación de métodos con el propósito de extinguir a sus respectivos colectivos. Todos, sin excepción, han reaccionado desviando la atención y confundiendo los términos sionista/judío, que son opuestos, en vez de ejercer una condena al sionismo de ayer y de hoy. Tal como antaño lo era merecedor el nazismo. A modo de ejemplo:
En Noviembre de 2010, un senador de la república, refiriéndose a la exvocera del gobierno, manifestó: “Parece salida de las juventudes hitlerianas”. Frente a este dicho no escuchamos reclamos por parte de la colonia alemana en Chile, ni a representantes de instituciones haciendo similitudes entre ser nazi y ser alemán, ya que en este caso, todos estamos bien informados y educados en el hecho de que ser alemán corresponde a un concepto de ciudadanía de nacionalidad, y en cambio nazi corresponde a una abominable ideología. No todos los alemanes eran nazis, así como no todos los judíos son sionistas, y más aún, no todo sionista profesa la religión judía. Es por ello que al pretender hacer referencia al concepto de Educación, en un concepto y visión integral del ser humano, corresponde que interioricemos que el hecho de ser judío es pertenecer a una gran religión, tal como ser cristiano o musulmán, pero ser sionista también corresponde a una abominable ideología fascista al igual que el nazismo, ni más ni menos.
En conclusión, el pasado holocausto de la Segunda Guerra Mundial, que apuntó hacia la comunidad religiosa judía, gitanos, homosexuales, etc., no puede contener la justificación moral de otros holocaustos como el del pueblo palestino, que ya lleva más de 63 años. Al contrario, los verdaderos representantes del pasado Holocausto, nos hacen recordar que esto debe mantenerse presente, para que nunca más, vuelva a repetirse. A continuación un breve video de la exposición de Norman Filkenstein, politólogo estadounidense descendiente de polacos de fe judía sobrevivientes del gueto de Varsovia. Crítico con la visión del Holocausto judío en su explotación para fines políticos-económicos sionistas-israelíes para lograr de este modo la total limpieza étnica palestina, en vez de contribuir al verdadero bienestar de los propios sobrevivientes, así como al de toda la humanidad, al no traducirse en un modelo y enseñanza de “Nunca más”: http://www.youtube.com/watch?v=KkQ1QX0zTbc
Bibliografía sugerida:
La limpieza étnica de Palestina . Ilán Pappé. Ed. Crítica 2008
Impropiedad de la voz antisemitismo . Simón Royo. Rebelión 21/10/2006. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=39718
Reflexiones de un judío disidente sobre el sionismo . Tim Wise. Rebelión 27/11/2001. http://www.rebelion.org/hemeroteca/sociales/wise271101.htm
Israel, Palestina y el Holocausto. Marcos Roitman Rosenmann. Rebelión 12/02/2002. http://www.rebelion.org/hemeroteca/sociales/roitmanpales120202.htm
El mito del judío errante. Gilad Atzmon. Tlaxcala 2/09/2008 http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=5793&lg=es
El pueblo judío fue una invención . Jonathan Cook: Entrevista con el historiador y catedrático judío Shlomo Sand sobre su libro ¿Cuándo y cómo se inventó el pueblo judío? Tlaxcala 06/10/2008 http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=6081&lg=es
El sionismo no solo es racista, sino antisemita. Red Judía Antisionista Internacional (IJAN) Rebelión 08/10/2008 http://www.rebelion.org/noticia.php?id=73966
Judíos unidos contra el sionismo. Neturei Karta http://www.nkusa.org/activities/zionist_violence/martyrYDeHaan.cfm
Judaísmo versus Antisemitismo sionista-israelí . Nelly Marzouka. Rebelión 10/09/2006 http://www.rebelion.org/noticia.php?id=37378
Sionismo Antisemita. Nelly Marzouka. Los pobres de la tierra.org. 23/04/2003 http://www.lospobresdelatierra.org/palestinalibre/sionismoantisemita.html
Revisado por Caty R.
Nelly Marzouka
"Cada país puede absorber solamente un número limitado de judíos si no quiere tener problemas estomacales. Alemania ya tiene demasiados judíos".
(Chaim Weizmann. Jefe de la Organización Sionista Mundial)
“Si la colonización de Palestina se ha caracterizado por una serie de expolios, debemos detenernos a examinar la actitud del movimiento sionista no sólo para con sus víctimas palestinas, sino también para con los propios judíos”.
(Ralph Schoenman. Historia oculta del sionismo, capítulo VI: El sionismo y los judíos)
En el transcurso de las marchas estudiantiles, el presidente del Colegio de Profesores, Jaime Gajardo, hizo un comentario en el que se preguntaba: “si Hinzpeter tiene alguna formación en alguna escuela de Israel, porque aquí se están repitiendo los mismos métodos con los que se ha reprimido actualmente a los jóvenes, que nos recuerdan los métodos sionistas del apartheid. Muchas de las herramientas, los recursos y las maneras que se utilizaron eran propias de los movimientos sionistas.
Acto seguido se originaron una serie de reclamos al Presidente del Colegio de Profesores en los que se le acusa de:
1.- “El señor Gajardo definitivamente es un fascista, al referirse con esas expresiones al pueblo israelí. Le exijo la renuncia. Sus disculpas posteriores no valen de nada después de las atrocidades que dijo y que son propias de un fascista (Gustavo Hasbún, diputado de UDI).
2.- “Dichos antisemitas” (Lorena Fries, Directora del Instituto Nacional de Derechos Humanos)
3.- “Ni siquiera ha habido un arrepentimiento en algo tan doloroso como la persecución judía. Los comentarios alusivos al pueblo judío hicieron perder ‘toda autoridad moral’ al dirigente (María José Hoffmann, Presidenta de la Comisión de Educación).
4.- “No se puede atacar a una persona por su religión. Escuchar al señor Gajardo es casi escuchar a Hitler en los peores momentos cuando todos sabemos lo que pasó después, que fue el Holocausto” (Lily Pérez, Senadora de RN).
Esta polémica surgida reiteradamente debido a la desinformación (o a una intencionada mala información), presente ahora en nuestro país a propósito de las expresiones del Presidente del Colegio de Profesores, amerita la siguiente información y análisis:
Antisionismo no es antisemitismo. Al contrario, el sionismo es una ideología política antisemita, “judeofóbica” y racista, tanto en sus postulados teóricos como en la práctica. El sionismo sostiene que todos los judíos son sionistas, sin respetar la opción de libre elección por parte de los judíos de otra ideología que no sea la sionista. El sionismo y el nazismo postulan que los judíos y los no judíos deben vivir separados. Otra de las muchas concordancias entre los nazis y los sionistas es la de identificar el judaísmo como una etnia y/o raza. Al contrario, ser judío es pertenecer a una de las grandes religiones monoteístas, con valores universales tales como el islam y el cristianismo
El término semita alude a una denominación bíblica de los pueblos que según la Biblia provienen de Sem, hijo de Noé, por eso los árabes y los antiguos hebreos son semitas. Cabe señalar que los antiguos hebreos que procedían de Ur, Caldea, o sea, Mesopotamia, transitaron durante el lapso de 73 años por Palestina (que ya estaba habitada por los cananeos, antecesores de los palestinos), como ya hemos dicho, también eran semitas. Pero no existe una cohesión nacional ni una continuidad histórica entre aquellos hebreos semitas bíblicos y los actuales invasores sionistas-israelíes cuyo origen étnico es europeo.
Afortunadamente, ya existen diversas personas y organizaciones de la comunidad religiosa judía, que no comulgan con esta ideología racista (definida así incluso por la ONU) que ha hecho tanto daño, no solo en cuanto a la limpieza étnica del pueblo palestino expulsando a la población nativa, negando su identidad, aniquilándola y manifestando “que se vayan a los países árabes”. Sino también a la propia comunidad religiosa judía, durante ese holocausto al aliarse con las alas fascistas y nazis en la consecución de su objetivo. El cual consistía únicamente en realizar una emigración masiva de europeos pertenecientes a la comunidad religiosa judía con el propósito de crear el Estado de Israel en 1948, en el lugar de la Palestina Histórica y no precisamente colaborar en el salvamento y ayuda de esta comunidad religiosa, que innegablemente fue perseguida al igual que otros colectivos, durante la Segunda Guerra Mundial. Israelita o israelí es el que pertenece al nuevo Estado de Israel, fundado sobre la base de la expulsión y exterminio del pueblo palestino. Es por ello que también el sionismo obliga y presiona para que todo judío considere este Estado como su Patria o “tierra prometida” y generar la Aliah o “retorno al país de sus supuestos antepasados bíblicos” de hace 2.000 años. Mientras los autóctonos dueños de la Palestina Histórica, languidecen en campos de refugiados ya sea en su propia tierra, en países árabes o exiliados y repartidos por todo el mundo, incluso en este lejano rincón del mundo, con el objeto de tornar cada vez más difícil que ejerzan su derecho al retorno amparado por el derecho internacional y las resoluciones de la ONU.
Resulta sumamente grave, serio y preocupante que personas que representan a diversas organizaciones, pasando desde la UDI, al Instituto de Derechos Humanos, que en lo que respecta al actual holocausto palestino nada expresan hacia el sufrimiento del semita pueblo palestino, continuando con la representante de la comisión de Educación, que confunde a la comunidad religiosa judía con la ideología sionista y a la senadora de RN que la condena hacia el sionismo como ideología que ha sido la causante de la limpieza étnica palestina, y por ende de la ausencia de paz en el mundo, resulta que le recuerda a Hitler, cuando justamente sionistas y nazis poseían y poseen coincidencias en su ideología y aplicación de métodos con el propósito de extinguir a sus respectivos colectivos. Todos, sin excepción, han reaccionado desviando la atención y confundiendo los términos sionista/judío, que son opuestos, en vez de ejercer una condena al sionismo de ayer y de hoy. Tal como antaño lo era merecedor el nazismo. A modo de ejemplo:
En Noviembre de 2010, un senador de la república, refiriéndose a la exvocera del gobierno, manifestó: “Parece salida de las juventudes hitlerianas”. Frente a este dicho no escuchamos reclamos por parte de la colonia alemana en Chile, ni a representantes de instituciones haciendo similitudes entre ser nazi y ser alemán, ya que en este caso, todos estamos bien informados y educados en el hecho de que ser alemán corresponde a un concepto de ciudadanía de nacionalidad, y en cambio nazi corresponde a una abominable ideología. No todos los alemanes eran nazis, así como no todos los judíos son sionistas, y más aún, no todo sionista profesa la religión judía. Es por ello que al pretender hacer referencia al concepto de Educación, en un concepto y visión integral del ser humano, corresponde que interioricemos que el hecho de ser judío es pertenecer a una gran religión, tal como ser cristiano o musulmán, pero ser sionista también corresponde a una abominable ideología fascista al igual que el nazismo, ni más ni menos.
En conclusión, el pasado holocausto de la Segunda Guerra Mundial, que apuntó hacia la comunidad religiosa judía, gitanos, homosexuales, etc., no puede contener la justificación moral de otros holocaustos como el del pueblo palestino, que ya lleva más de 63 años. Al contrario, los verdaderos representantes del pasado Holocausto, nos hacen recordar que esto debe mantenerse presente, para que nunca más, vuelva a repetirse. A continuación un breve video de la exposición de Norman Filkenstein, politólogo estadounidense descendiente de polacos de fe judía sobrevivientes del gueto de Varsovia. Crítico con la visión del Holocausto judío en su explotación para fines políticos-económicos sionistas-israelíes para lograr de este modo la total limpieza étnica palestina, en vez de contribuir al verdadero bienestar de los propios sobrevivientes, así como al de toda la humanidad, al no traducirse en un modelo y enseñanza de “Nunca más”: http://www.youtube.com/watch?v=KkQ1QX0zTbc
Bibliografía sugerida:
La limpieza étnica de Palestina . Ilán Pappé. Ed. Crítica 2008
Impropiedad de la voz antisemitismo . Simón Royo. Rebelión 21/10/2006. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=39718
Reflexiones de un judío disidente sobre el sionismo . Tim Wise. Rebelión 27/11/2001. http://www.rebelion.org/hemeroteca/sociales/wise271101.htm
Israel, Palestina y el Holocausto. Marcos Roitman Rosenmann. Rebelión 12/02/2002. http://www.rebelion.org/hemeroteca/sociales/roitmanpales120202.htm
El mito del judío errante. Gilad Atzmon. Tlaxcala 2/09/2008 http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=5793&lg=es
El pueblo judío fue una invención . Jonathan Cook: Entrevista con el historiador y catedrático judío Shlomo Sand sobre su libro ¿Cuándo y cómo se inventó el pueblo judío? Tlaxcala 06/10/2008 http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=6081&lg=es
El sionismo no solo es racista, sino antisemita. Red Judía Antisionista Internacional (IJAN) Rebelión 08/10/2008 http://www.rebelion.org/noticia.php?id=73966
Judíos unidos contra el sionismo. Neturei Karta http://www.nkusa.org/activities/zionist_violence/martyrYDeHaan.cfm
Judaísmo versus Antisemitismo sionista-israelí . Nelly Marzouka. Rebelión 10/09/2006 http://www.rebelion.org/noticia.php?id=37378
Sionismo Antisemita. Nelly Marzouka. Los pobres de la tierra.org. 23/04/2003 http://www.lospobresdelatierra.org/palestinalibre/sionismoantisemita.html
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Imigrantes ilegais em Israel viram alvo de leis severas e deportações
11 junho 2011, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)
Arturo Hartmann*
Antes dominantes, as feições europeia e árabe da população de Israel hoje são complementadas por olhos puxados e pele amarela e negra. Imigrantes vindos de longe, especialmente do Sudeste Asiático, começaram a desembarcar no pequeno país no começo dos anos 1990, com incentivo do governo local, em busca de melhores condições de trabalho. Desde a administração de Ytzhak Rabin, tailandeses, filipinos e chineses, por exemplo, começaram a substituir a força de trabalho palestina. No entanto, esses estrangeiros atualmente sofrem com o preconceito e a deportação, apesar de alguns terem tido filhos em solo israelense.
Imigrantes ilegais protestam em Tel Aviv contra decisão do governo de deportar crianças nascidas em Israel
“Os setores de construção, agricultura, saúde e limpeza precisavam de mão-de-obra barata e, por décadas, essas empresas negligenciaram investimentos em capital humano, maquinário e salários apropriados para se modernizar. Tornaram-se dependentes do trabalho palestino, que foi substituído nos anos 1990 pelos imigrantes”, explicou ao Opera Mundi o economista israelense Shir Hever. Segundo ele, no começo do século, o então ministro das Finanças do governo de Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu, não conseguiu reduzir o número de trabalhadores. “Ele tentou, mas falhou após se render ao lobby das companhias de agricultura e construção”, que precisavam dos funcionários.
Agora, como primeiro-ministro, “Bibi” – como Netanyahu é chamado em Israel – deu início a uma série de medidas para conter a onda imigratória e preservar a predominância de judeus na população. Em agosto de 2010, foi aprovada uma lei que permite a deportação de crianças de imigrantes. Dois meses depois, uma emenda legislativa que impõe aos não judeus que queiram adquirir a nacionalidade israelita jurar lealdade ao país como "Estado judeu e democrático" causou polêmica.
Em 20 de maio, o Knesset (congresso israelense), aprovou uma lei que restringe imigrantes que trabalham no setor de saúde a uma região específica do país – ela foi denominada por críticos como “Lei da Escravidão”. Além disso, a legislação impõe que os trabalhadores só podem mudar de empregadores por no máximo três vezes.
O membro do Knesset David Azoulay, do partido Shas, presidente do Comitê de Interior do Congresso, defendeu a lei: “Ela lida com uma situação problemática e dolorosa: os estrangeiros trazidos a este país para cuidar de pacientes com sérias necessidades abandonam suas responsabilidades pela dificuldade do trabalho, deixando-os sem qualquer possibilidade de cuidado”, afirmou, de acordo com o jornal israelense Haaretz.
Ran Cohen, médico e diretor executivo da organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, em inglês), explicou os detalhes: “O alvo principal hoje é o serviço de saúde, mas poderá estender-se aos que trabalham nos setores de construção e agrícola. Se deixarem mais de três vezes o empregador, perdem o visto. Se deixarem a área geográfica designada, perdem o visto e ficam sujeitos à prisão e deportação”.
A “Lei da Escravidão”, na verdade uma emenda à Lei de Entrada israelense, que regula questões de vistos e deportação, põe no corpo jurídico uma regulação que existia até 2006, mas foi vetada pela Suprema Corte de Israel, por considerá-la uma forma de escravidão moderna. “Quando um trabalhador deixava seu empregador, perdia o visto de trabalho, tornando-se ilegal. Como resultado, trabalhadores eram explorados e maltratados por empregadores, não eram pagos, tinham que escolher entre um mau empregador ou perder o visto. Por isso há tantos trabalhadores ilegais em Israel”, disse o médico. As estimativas falam em uma população de 100 mil trabalhadores ilegais.
“Precisaremos ir à Corte novamente, à mídia, nos manifestar nas ruas”, afirmou Emi Saar, coordenadora do Centro de Intervenção de Crises da Linha de Ajuda aos Imigrantes Trabalhadores (HMW, em inglês). O HMW trabalha com casos individuais, prestando apoio paralegal, coleta de histórias e atendimento de emergência. “Já que o governo decidiu empregá-los, deve dar a eles os mesmos direitos, como proteger seus direitos trabalhistas, impor a lei aos empregadores, cancelar a política de amarração/fixação e dar a eles as mesmas condições de trabalho dos israelenses. Deve também manter acordos bilaterais com seus países de origem para que não paguem milhares de dólares para vir a Israel. Seria um bom começo”.
Direitos humanos
A questão dos imigrantes, um fenômeno global, ganha formas locais. A população de “estrangeiros” tornou-se um novo fator na equação interna do conflito social de Israel entre judeus e palestinos. O tipo de status de permanência passa pela discussão do Estado judeu.
A questão ganhou contornos claros em meados de 2010 nos debates sobre a aprovação de uma lei no Knesset que ditava as regras para expulsar de Israel crianças filhas de imigrantes. Em agosto de 2010, Netanyahu aprovou a lei de deportação de filhos de imigrantes.
“Essa é uma decisão razoável e equilibrada, influenciada por duas considerações: a consideração humanitária e a sionista. Estamos buscando formas de absorver e adotar em nossos corações crianças trazidas e criadas como israelenses. Por outro lado, não queremos criar um precedente que irá levar centenas de milhares de trabalhadores ilegais a inundar o país”, disse ao Haaretz. Esses estrangeiros se juntariam aos palestinos na tão temida “bomba demográfica”.
A lei gerou mal-estar no país e não foi imediatamente cumprida. “Houve a intenção de prender crianças, mas não o fizeram. Apenas nas últimas semanas começaram a prender famílias com crianças pequenas”, explicou Cohen.
Lucros da imigração
E se, em público, Netanyahu diz que a grande questão é a manutenção do Estado judaico, a política do governo diz outra. Há em Israel um mercado que precisa da mão-de-obra, mas que se alimenta da xenofobia que vê a imigração como indesejável. Leis como essas mantêm o negócio lucrativo, na opinião de Hever. “A HMW descobriu que os mediadores que trazem os imigrantes cobram entre cinco e 24 mil dólares de cada um. As companhias têm um enorme interesse nesse sistema em que mais trabalhadores sejam trazidos a Israel e rapidamente deportados, e que novos venham para substituí-los. Eles lucram enormidades com isso”.
“É uma questão complexa. Os empregadores e mediadores, e alguns políticos, ganham enorme popularidade ao expressar ódio e racismo em relação aos migrantes. Esta é uma batalha de longo-prazo entre ideologia étnica e ganância. Oficiais israelenses eram contra trabalhadores palestinos em Israel em 1967, mas muitos empreiteiros os trouxeram de qualquer forma. Sempre há movimentos promovendo o ‘trabalho hebreu’ para guardar a vitória demográfica dos judeus em Israel, mas há outros que argumentam que um certo liberalismo e considerações pragmáticas ajudarão a economia de Israel”.
No início de abril, o diário israelense Yedioth Ahronot e a Organização Gesher divulgaram uma pesquisa conjunta (conduzida pelo Instituto Panels). Setenta e oito por cento dos entrevistados disse que imigrantes e refugiados “são um perigo ao caráter judaico do Estado de Israel" – 57% falavam em grande perigo e 21% em um perigo moderado.
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Arturo Hartmann*
Antes dominantes, as feições europeia e árabe da população de Israel hoje são complementadas por olhos puxados e pele amarela e negra. Imigrantes vindos de longe, especialmente do Sudeste Asiático, começaram a desembarcar no pequeno país no começo dos anos 1990, com incentivo do governo local, em busca de melhores condições de trabalho. Desde a administração de Ytzhak Rabin, tailandeses, filipinos e chineses, por exemplo, começaram a substituir a força de trabalho palestina. No entanto, esses estrangeiros atualmente sofrem com o preconceito e a deportação, apesar de alguns terem tido filhos em solo israelense.
Imigrantes ilegais protestam em Tel Aviv contra decisão do governo de deportar crianças nascidas em Israel
“Os setores de construção, agricultura, saúde e limpeza precisavam de mão-de-obra barata e, por décadas, essas empresas negligenciaram investimentos em capital humano, maquinário e salários apropriados para se modernizar. Tornaram-se dependentes do trabalho palestino, que foi substituído nos anos 1990 pelos imigrantes”, explicou ao Opera Mundi o economista israelense Shir Hever. Segundo ele, no começo do século, o então ministro das Finanças do governo de Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu, não conseguiu reduzir o número de trabalhadores. “Ele tentou, mas falhou após se render ao lobby das companhias de agricultura e construção”, que precisavam dos funcionários.
Agora, como primeiro-ministro, “Bibi” – como Netanyahu é chamado em Israel – deu início a uma série de medidas para conter a onda imigratória e preservar a predominância de judeus na população. Em agosto de 2010, foi aprovada uma lei que permite a deportação de crianças de imigrantes. Dois meses depois, uma emenda legislativa que impõe aos não judeus que queiram adquirir a nacionalidade israelita jurar lealdade ao país como "Estado judeu e democrático" causou polêmica.
Em 20 de maio, o Knesset (congresso israelense), aprovou uma lei que restringe imigrantes que trabalham no setor de saúde a uma região específica do país – ela foi denominada por críticos como “Lei da Escravidão”. Além disso, a legislação impõe que os trabalhadores só podem mudar de empregadores por no máximo três vezes.
O membro do Knesset David Azoulay, do partido Shas, presidente do Comitê de Interior do Congresso, defendeu a lei: “Ela lida com uma situação problemática e dolorosa: os estrangeiros trazidos a este país para cuidar de pacientes com sérias necessidades abandonam suas responsabilidades pela dificuldade do trabalho, deixando-os sem qualquer possibilidade de cuidado”, afirmou, de acordo com o jornal israelense Haaretz.
Ran Cohen, médico e diretor executivo da organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, em inglês), explicou os detalhes: “O alvo principal hoje é o serviço de saúde, mas poderá estender-se aos que trabalham nos setores de construção e agrícola. Se deixarem mais de três vezes o empregador, perdem o visto. Se deixarem a área geográfica designada, perdem o visto e ficam sujeitos à prisão e deportação”.
A “Lei da Escravidão”, na verdade uma emenda à Lei de Entrada israelense, que regula questões de vistos e deportação, põe no corpo jurídico uma regulação que existia até 2006, mas foi vetada pela Suprema Corte de Israel, por considerá-la uma forma de escravidão moderna. “Quando um trabalhador deixava seu empregador, perdia o visto de trabalho, tornando-se ilegal. Como resultado, trabalhadores eram explorados e maltratados por empregadores, não eram pagos, tinham que escolher entre um mau empregador ou perder o visto. Por isso há tantos trabalhadores ilegais em Israel”, disse o médico. As estimativas falam em uma população de 100 mil trabalhadores ilegais.
“Precisaremos ir à Corte novamente, à mídia, nos manifestar nas ruas”, afirmou Emi Saar, coordenadora do Centro de Intervenção de Crises da Linha de Ajuda aos Imigrantes Trabalhadores (HMW, em inglês). O HMW trabalha com casos individuais, prestando apoio paralegal, coleta de histórias e atendimento de emergência. “Já que o governo decidiu empregá-los, deve dar a eles os mesmos direitos, como proteger seus direitos trabalhistas, impor a lei aos empregadores, cancelar a política de amarração/fixação e dar a eles as mesmas condições de trabalho dos israelenses. Deve também manter acordos bilaterais com seus países de origem para que não paguem milhares de dólares para vir a Israel. Seria um bom começo”.
Direitos humanos
A questão dos imigrantes, um fenômeno global, ganha formas locais. A população de “estrangeiros” tornou-se um novo fator na equação interna do conflito social de Israel entre judeus e palestinos. O tipo de status de permanência passa pela discussão do Estado judeu.
A questão ganhou contornos claros em meados de 2010 nos debates sobre a aprovação de uma lei no Knesset que ditava as regras para expulsar de Israel crianças filhas de imigrantes. Em agosto de 2010, Netanyahu aprovou a lei de deportação de filhos de imigrantes.
“Essa é uma decisão razoável e equilibrada, influenciada por duas considerações: a consideração humanitária e a sionista. Estamos buscando formas de absorver e adotar em nossos corações crianças trazidas e criadas como israelenses. Por outro lado, não queremos criar um precedente que irá levar centenas de milhares de trabalhadores ilegais a inundar o país”, disse ao Haaretz. Esses estrangeiros se juntariam aos palestinos na tão temida “bomba demográfica”.
A lei gerou mal-estar no país e não foi imediatamente cumprida. “Houve a intenção de prender crianças, mas não o fizeram. Apenas nas últimas semanas começaram a prender famílias com crianças pequenas”, explicou Cohen.
Lucros da imigração
E se, em público, Netanyahu diz que a grande questão é a manutenção do Estado judaico, a política do governo diz outra. Há em Israel um mercado que precisa da mão-de-obra, mas que se alimenta da xenofobia que vê a imigração como indesejável. Leis como essas mantêm o negócio lucrativo, na opinião de Hever. “A HMW descobriu que os mediadores que trazem os imigrantes cobram entre cinco e 24 mil dólares de cada um. As companhias têm um enorme interesse nesse sistema em que mais trabalhadores sejam trazidos a Israel e rapidamente deportados, e que novos venham para substituí-los. Eles lucram enormidades com isso”.
“É uma questão complexa. Os empregadores e mediadores, e alguns políticos, ganham enorme popularidade ao expressar ódio e racismo em relação aos migrantes. Esta é uma batalha de longo-prazo entre ideologia étnica e ganância. Oficiais israelenses eram contra trabalhadores palestinos em Israel em 1967, mas muitos empreiteiros os trouxeram de qualquer forma. Sempre há movimentos promovendo o ‘trabalho hebreu’ para guardar a vitória demográfica dos judeus em Israel, mas há outros que argumentam que um certo liberalismo e considerações pragmáticas ajudarão a economia de Israel”.
No início de abril, o diário israelense Yedioth Ahronot e a Organização Gesher divulgaram uma pesquisa conjunta (conduzida pelo Instituto Panels). Setenta e oito por cento dos entrevistados disse que imigrantes e refugiados “são um perigo ao caráter judaico do Estado de Israel" – 57% falavam em grande perigo e 21% em um perigo moderado.
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