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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Siria: La devoción por Bashar al-Asad es sorprendente

15 febrero 2012 Az-Zulaza 23 Rabi al-Auwal 1433 The Beirut Herald بيروت هيرالد http://www.thebeirutherald.info (Argentina)
El exsecretario de Estado de EE.UU. Henry Alfred Kissinger calificó de “impresionante” el respaldo de la mayoría de la nación siria al presidente, Bashar al-Asad.

Henry Alfred Kissinger dijo que los sirios apoyan de forma increíble al presidente, de ahí que “hemos de buscar otras alternativas para acabar con el Gobierno de Damasco”, informa ISNA este martes.

“Hice un gran esfuerzo en el pasado para llegar a un acuerdo con el expresidente sirio Hafez al-Asad, y tengo que reconocer mi derrota (…) ahora su hijo me ha dejado sorprendido. La mayoría de sus compatriotas le aman”, reveló Kissinger, actual miembro de la Junta Directiva de Gulfstream Aerospace.

Según Kissinger, para poner en jaque al presidente sirio, hay que actuar desde el interior, ya que Siria ha conseguido construir grandes infraestructuras. En Siria, añadió Kissinger, la educación y los servicios sanitarios son casi gratuitos, además, cuenta con un abastecimiento de trigo para cinco años. Siria tiene un ejército unido, aseguró el exsecretario de Estado de EE.UU.

Desde mediados del mes de marzo, Siria ha sido escenario de disturbios y manifestaciones que se han celebrado tanto en contra como a favor del presidente Bashar al-Asad.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Palestina: uma carta na manga da Arábia Saudita

21 Junho 2011, Outras Palavras (Brasil)

Por Lawrence Davidson*

no Consortium News Tradução: Rede Vila Vudu

Os sauditas não estão gostando do que têm ouvido do presidente Barak Obama, sobretudo “instruções” que, aos olhos de Riad, parecem extremamente perigosas – como dizer aos sauditas e ao resto dos governantes árabes, que se antecipem aos movimentos de protesto popular e promovam reformas democráticas.

Os sauditas não têm qualquer tradição democrática além do conselho consultivo das tribos. Antes de serem reis e príncipes, são xeques do deserto. Por isso, os conselhos de Obama soam como fala de aliado de muito tempo que, de repente, os aconselhe a render-se. Na tradição beduína, líderes fortes não se rendem sem luta.

Os sauditas já manifestaram, por várias vias, sua decepção com Washington. Uma dessas vias foi enviar tropas para ajudar a monarquia do Bahrain (mais um xeque que se autodenomina rei) e apoiar a reação fascista que o regime impunha com violência contra a maioria xiita.

Os sauditas são sunitas wahhabitas, o ramo mais conservador do islamismo, e pouco se importam com o destino dos xiitas, que consideram heréticos. Os sauditas suspeitam que os xiitas do Bahrain estejam sendo orquestrados pelo Irã (que os sauditas muito temem, como potência xiita emergente na região).

Riad vê o terror no Bahrain como necessário e útil – por mais que muitos, em todo o mundo, inclusive eu, interpretemos como violência injustificável o modo como os sauditas encaminharam a questão do Bahrain.

Uma segunda via pela qual os sauditas já demonstraram o quanto estão frustrados com os discursos de Obama é denunciar a hipocrisia de Washington. Semana passada, o príncipe saudita Turki al-Faisal publicou no Washington Post um importante documento, bem arrazoado, sob o título de “EUA pró-Israel: favoritismo fracassado” [traduzido em português e disponível na Rede CastorPhoto).

Turki foi embaixador saudita nos EUA e no Reino Unido e chefe da inteligência saudita. Embora esteja hoje fora do governo (motivo pelo qual, provavelmente, assina o artigo publicado nos EUA), o que lá se lê pode ser considerado manifestação direta de sentimentos e pensamento do governo saudita. E o que diz Turki?

1. Referindo-se a Obama, no discurso sobre o Oriente Médio, Turki escreve que “[Obama] chamou a atenção de governos árabes para que abraçassem a democracia”, mas, simultaneamente, nada disse na direção de exigir os mesmos direitos de autodeterminação para os palestinos – apesar de o território palestino estar ocupado pela mais forte potência militar da região.”

2. Turki descreve como “deprimente” ver o Congresso dos EUA aplaudir discuros em que se negaram “os direitos humanos mais básicos aos palestinos”. Referia-se a recente visita do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ao Capitólio.

3. Vistos em conjunto os dois eventos – negação de direitos básicos aos palestinos e o exortação em favor deles no resto do mundo árabe – compõem, do ponto de vista dos sauditas, indicação clara de que “os planos de paz construídos por EUA e Israel já se revelaram inviáveis e o conflito Israel-Palestinos continuará sem solução à vista, enquanto as políticas dos EUA continuarem a dar prioridade indevida aos interesses de Israel”.

4. Assim sendo, “na ausência de quaisquer negociações produtivas, é chegada a hora de os palestinos deixarem de lado EUA e Israel e buscarem reconhecimento internacional do Estado palestino diretamente na ONU.” Nesse movimento, serão firmemente apoiados pela Arábia Saudita”.

Os sauditas erraram no Bahrain, mas acertaram integralmente na Palestina. E o recado não para aí. Pode-se dizer que Turki de fato “jogou a luva”, em declarado desafio a Obama e aos EUA.

5. “Os políticos norte-americanos não se cansam de repetir que Israel é seu “aliado indispensável”. Logo aprenderão que há outros atores na região que podem ser pelo menos igualmente “indispensáveis”. O jogo de favoritismo em favor de Israel não revela sabedoria, por parte dos EUA, e logo vai aparecer como uma grande loucura.

“Haverá consequências desastrosas para as relações EUA-Arábia Saudita, se os EUA vetarem na ONU o reconhecimento do estado palestino.”

Deve-se considerar que não há qualquer base legal para esse veto, na Assembleia Geral da ONU. Mas o governo Obama pode dificultar muito as coisas, simplesmente torcendo braços e apertando gargantas em número suficiente – entre as nações que dependem de Washington – para conseguir que votem “Não” ao reconhecimento do Estado palestino.

Foi exatamente o que o governo Truman fez em 1948, para conseguir o número de votos necessários para aprovar o reconhecimento do Estado de Israel (por pequena diferença). Será muito triste ironia, se o governo Obama recorrer à mesma tática, para, outra vez, derrotar os palestinos.

6. Turki conclui: “Nós, árabes, muitas vezes dissemos não à paz. E em 1967 pagamos o preço pelas muitas vezes que erramos. Em 2002, o rei Abdullah (na foto, com Barack Obama) ofereceu o que viria a ser chamado de Iniciativa da Paz Árabe (…). Mas, dessa vez, são os israelenses, que dizem não à paz. Espero não estar por perto, quando os israelenses tiverem de pagar o preço pelo erro que estão cometendo.”

Seria temeridade considerar isso um blefe. Turki tem bastante razão ao dizer que há outros parceiros no Oriente Médio que são mais indispensáveis para os EUA, e para o ocidente em geral, que Israel. Por exemplo, qualquer dos grandes produtores de petróleo que há por lá.

Para provar o que dizem, os sauditas nem precisarão repetir o embargo do petróleo de 1973. Basta que reduzam gradual, mas ininterruptamente, o ritmo da produção, e pressionem outros produtores árabes para que façam o mesmo. Se o fizerem, o presidente Obama terá de lutar pela reeleição, em 2012, com o preço da gasolina acima de 5 dólares o galão [equivalentes a cerca de R$ 2,10/litro, representando aumento de 60%, em relação aos preços atuais].

E os preços não cairão apenas por o vencedor ser Mitt Romney – ou qualquer candidato do Partido Republicano. Podem não cair até que os palestinos recebam o direito de conseguir uma paz justa. (…)

O poder de Israel: Contra essa referência muito clara ao poder dos sauditas, temos a mais recente chicanice de Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

Em entrevista coletiva em Roma, Netanyahu, estimulado pelos sorrisos de aprovação de Silvio Berlusconi, disse ao mundo que “o problema não são os ‘assentamentos’ (colônias exclusivas para judeus). A raiz do conflito é que os palestinos recusam-se a reconhecer a existência do estado judeu” [sobre isso, ler Uri Avnery, em português].

Mais tarde, Netanyahu elaborou: “É conflito insanável, porque não se disputa território (…). Até que os palestinos aceitem Israel, não só como país, mas como Estado judeu, é impossível avançar.”

Todos os líderes israelenses parecem ser tomados pelo delírio de inventar ilusões. Aqui, Netanyahu manifesta o mesmo delírio, tentando paralisar todo o processo de paz por efeito de suas palavras. Mas o ato de mágica engana espectadores sem qualquer memória ou perspectiva histórica. E Netanyahu consegue repetir suas bobagens sem história que as confirme, e nem por isso é desmentido.

Mas muitos conhecem os vários fatos que Netanyahu omite. Eis alguns:

1. Em 1993, a Organização de Libertação da Palestina, liderada então por Yasser Arafat, reconheceu formalmente o Estado de Israel. Naquele momento, todos sabiam exatamente o que significava “Estado de Israel”. Ninguém jogava com ases tirados da manga, nem tentava introduzir na definição do Estado termos jamais definidos com clareza, como o adjetivo “judeu”.

O próprio Arafat disse depois ao jornal britânico Guardian que era “claro e óbvio” que Israel era e sempre seria judaica e que o problema dos refugiados teria de ser resolvido de modo que permitisse manter aquele traço judeu.

2. E há também informação vazada nos Palestine Papers (Janeiro, 2011), segundo a qual Mahmoud Abbas (também chamado Abu Mazen) e seus seguidores ofereceram aos israelenses absolutamente tudo que exigiram.

Como escrevi naquela época, Abbas e seus colegas “estavam dispostos a concordar com os bantustões, a ceder praticamente toda Jerusalém, a dar as costas a 99% dos refugiados, a fingir que não viam que a população de Gaza estava sendo massacrada e a servir, como aliados, à ocupação da Cisjordânia pelos exércitos de Israel.

“Ao final daquela ‘negociação’, já praticamente nada restava pelo qual valesse a pena lutar. Como o principal negociador da Autoridade Nacional Palestina, Saeb Erekat, disse aos enviado dos EUA ao Oriente Médio George Mitchell, os palestinos haviam feito tudo, exceto ‘converter-se ao sionismo’. Mesmo assim, os israelenses ignoraram todas as concessões feitas pelos palestinos.”

Ora, pode-se dizer que Netanyahu é homem de visão tão estreita e tão mal informado que não lembra de 1993 nem sabe do que Arafat explicou ao Guardian. Pois ainda assim teria de lembrar da capitulação tão fartamente noticiada nos Palestine Papers. Afinal de conta, aconteceu, em grande parte, sob seus próprios olhos.

E o que dizer da exigência de reconhecer o tal “estado judeu”? A única conclusão a que se pode chegar é que o primeiro-ministro Netanyahu é daqueles comediantes que depende de um “escada”, e que supõe que o resto do mundo, que, para ele, estaria representado no Congresso dos EUA, vive de lhe dar as deixas sem as quais não teria como apresentar seu número.

Contra todas esses delírios, há a realidade: a liderança política em Israel não tem qualquer interesse em fazer a paz. A paz deve ser evitada a todo custo, porque interromperá, necessariamente, o continuado roubo de terra palestina, por israelenses. Por isso, de fato, para Netanyahu, “é impossível avançar” rumo a qualquer paz.

E o vencedor? O que acontecerá se os sauditas decidirem, mesmo, que chegou a hora de aplicar seu imenso poder econômico para ajudar os palestinos? O poder dos comediantes israelenses bastará para competir com os sauditas? Bem, há alguns argumentos a considerar:

1. O poder dos sionistas, fora da Palestina, está confinado a apenas alguns poucos pontos. Não significa que não exista, mas significa que tem base real bem reduzida. O poder do sionismo repousa sobre duas torres gêmeas: a culpa ocidental pelo holocausto e a influência do lobby pró-Israel. Esse último, pelo menos nos EUA, aparece sob a forma de dinheiro pago a políticos e campanhas eleitorais.

Os sionistas também têm poder sobre a mídia, mas é hoje poder bem menos amplo do que já foi. Não se sabe exatamente o quanto esse poder midiático conseguiria influir, em circunstâncias em que houvesse, ativados, consideráveis contrapesos econômicos e financeiros.

2. O poder da Arábia Saudita, por sua vez, é realmente internacional-global e é poder com bases econômicas bem reais. Se o preço dos combustíveis disparar, por ativa manipulação pelos sauditas e outros produtores árabes de petróleo, não há o que os sionistas possam fazer para revidar.

E, agora? O que farão os norte-americanos e os europeus? Invadir a Arábia Saudita, o Kuwait, o Bahrain, o Qatar et allii? São ideias que ocorrem a roteiristas de romances e filmes de espionagem e só serão promovidas por terroristas limítrofes, tipo John Bolton. Na vida real, nunca aconteceu.

Não. O novo tipo de confrontação não pode ser vencido pelos sionistas. É interessante observar que praticamente nada disso aparece discutido na mídia norte-americana. Provavelmente, os sionistas e seus cúmplices creem que, se fecharem os olhos e ouvidos e fingirem que a Arábia Saudita não disse o que disse, a Arábia Saudita sumirá para sempre. Talvez estejam contando com energia fusion, ainda em setembro desse ano! Ou, vai-se ver, decidiram que o príncipe Turki al-Faisal blefou, pelo Washington Post.

Pessoalmente, entendo que pode ter chegado a vez da Arábia Saudita. Talvez os sauditas possam impor uma paz justa entre Washington e Telavive. Ninguém espere notícias pela mídia, mas, para ajudar os palestinos, estou disposto a pagar o preço que os sauditas resolverem cobrar, para encher o tanque!

*Lawrence Davidson é professor de História na West Chester University na Pennsylvania. É autor de Foreign Policy Inc.: Privatizing America’s National InterestAmerica’s Palestine: Popular and Offical Perceptions from Balfour to Israeli Statehood; e Islamic Fundamentalism.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

NADIE QUIERE HABLAR DE BALAS ISRAELÍES

30 Mayo 2011/La Jornada http://www.jornada.unam.mx (Mexico)
Fuente: The Independent/Traducción: Jorge Anaya

Robert Fisk

Fui a ver a Munib Masri en su hospital de Beirut. Él es parte de la revolución árabe, aunque no lo ve así. Su rostro denotaba el dolor que sentía; le ponían suero, tenía fiebre y unas espantosas heridas causadas por una bala israelí de 5.6mm que le dio en el brazo. Sí, una bala israelí, porque Munib era uno de los miles de jóvenes palestinos y libaneses desarmados que se plantaron frente al fuego abierto por los israelíes hace dos semanas, en la frontera de la tierra que llaman "Palestina".

“Estaba furioso… acababa de ver cómo los israelíes golpeaban a un niño ...me dijo Munib.... Me acerqué a la valla fronteriza; los israelíes disparaban a mucha gente. Cuando me dieron, quedé paralizado. Se me doblaron las piernas. Luego me di cuenta de lo que había pasado. Mis amigos me sacaron de allí.”

Le pregunté si forma parte de la Primavera Árabe. No, me dijo, sólo protestaba por la pérdida de su tierra. "Me gustó lo que pasó en Egipto y Túnez. Me alegro de haber ido a la frontera libanesa, pero también lo lamento."

No es sorprendente. Más de 100 manifestantes inermes fueron heridos durante la marcha de palestinos y libaneses para conmemorar la expulsión y el éxodo de 750 mil palestinos de sus hogares, en 1948. Seis murieron, y entre los más jóvenes de los alcanzados por las balas había dos niñas pequeñas, una de seis años y la otra de ocho. Más objetivos de la "guerra al terror" de Tel Aviv, supongo, aunque la bala que mató a Munib, estudiante de geología en la Universidad Americana de Beirut, de 22 años, causó un daño terrible. Le penetró por un costado, le cortó el riñón, le dio en el hígado y luego le quebró la espina dorsal. El día que visité a Munib tuve la bala en la mano: tres pedazos refulgentes de metal color café, que se estrellaron dentro de su cuerpo. Tiene suerte de estar vivo.

Afortunado también de ser ciudadano estadunidense, para mucho que le sirvió. La embajada de su país envió una representante a visitar a sus padres en el hospital, según me contó Mouna, la madre del joven. “Estoy devastada, triste, indignada… y no quisiera que esto le pasara a ninguna madre israelí. Vino la diplomática estadunidense y le expliqué la situación de Munib. Le dije: ‘Quisiera que llevaran un mensaje a su gobierno: que presione a los israelíes para que cambien sus políticas. Si esto ocurriera a una madre israelí, el mundo se había puesto de cabeza’. Pero ella me contestó: ‘No vine a hablar de política. Estamos aquí para darles apoyo social, para desalojarlos si lo desean, para ayudarlos con los pagos’. Le dije que no necesito nada de eso: ‘necesito que expliquen la situación’.”

Cualquier diplomático estadunidense está en libertad de transmitir los puntos de vista de los ciudadanos a su gobierno, pero la respuesta de esa diplomática fue de sobra conocida. Aunque estadunidense, Munib había sido herido por una bala inconveniente. No fue una bala siria o egipcia, sino israelí, inapropiada para hablar de ella, y mucho más para persuadir a una diplomática estadunidense de hacer algo al respecto. Después de todo, cuando Benjamin Netanyahu recibe 55 ovaciones en el Congreso de Estados Unidos ...más que el promedio en el parlamento baazista de Damasco..., ¿por qué el gobierno de Munib debe preocuparse por él?

En realidad, ha ido muchas veces a "Palestina": su familia viene de Beit Jala y Belén, y conoce bien Cisjordania, aunque me expresó su preocupación de que pudieran arrestarlo la próxima vez que vuelva allá. Ser palestino no es fácil, en cualquier lado de la frontera en que uno se encuentre. Mouna Masri se indignó cuando su marido fue a tramitar la renovación de la residencia de la hermana de ella en Jerusalén oriental. "Los israelíes insistieron en que debía venir desde Londres, aunque se les informó que estaba recibiendo quimioterapia", relató.

"Yo estuve en Palestina apenas dos días antes de que hirieran a Munib, visitando a mi suegro en Nablus. Vi a toda la familia y estaba contenta, pero extrañaba mucho a Munib, así que regresé a Beirut. Él estaba muy emocionado por la marcha a la frontera. Había dos o tres autobuses para llevar a estudiantes y profesores de la universidad, y el domingo se levantó a las 6:55 de la mañana. A eso de las 4 de la tarde llamó la tía de Munib, Mai, y me preguntó si había alguna noticia; comencé a inquietarme. Luego recibí una llamada de mi marido para decirme que habían herido a Munib en la pierna."

Fue mucho peor. El joven perdió tanta sangre que los doctores del hospital Bent Jbeil temían que falleciera. Los pacificadores de Naciones Unidas en Líbano ...dolorosamente ausentes de la sección de Maroun al-Ras en la frontera durante la manifestación de cinco horas... lo trajeron en helicóptero a Beirut. Muchos de quienes viajaron a la frontera con él venían de campos de refugiados y ...a diferencia de Munib... jamás habían visitado la tierra de sus padres. De hecho, en muchos casos ni siquiera la habían visto.

La tía Mai describió cuántos de quienes fueron en la marcha o en autobús a la frontera sintieron una brisa que soplaba a lo largo de la frontera desde lo que hoy es Israel. "Todos la aspiraron fuerte, como si fuera una especie de libertad", narró.

Y eso es. Tal vez Munib no cree formar parte de la Primavera Árabe, pero sí pertenece al despertar árabe. Aunque él tiene un hogar en Cisjordania, decidió marchar con los desposeídos cuyos hogares están dentro de lo que es hoy Israel. “No tuvieron miedo ...afirmó su tío Munzer.... Esa gente quería dignidad. Y con la dignidad viene el triunfo.”

Eso es lo que gritaba el pueblo de Túnez. Y el de Egipto. Y los de Yemen, de Bahrein, de Siria. Sospecho que Obama, aunque se rebaje ante Netanyahu, también lo entiende. Era eso lo que, a su modo pusilánime, trataba de advertir a los israelíes. El despertar árabe abarca a los palestinos también.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

ISRAEL: UM MANIFESTO PELA PAZ


Dezenas de personalidades defendem fronteiras de 1967 e sustentam: “reconhecer Estado palestino é vital para independência de Israel”. Manifesto assinado por figuras reconhecidas nos meios intelectual, associativo, diplomático e mesmo militar israelense revela algo às vezes oculto, nos meios de comunicação tradicionais. Uma parcela expressiva da população de Israel deseja a paz com os palestinos e está disposta a lutar por ela. Setores da comunidade israelense começam a se mobilizar, em todo o mundo, para separar-se de atitudes como a do primeiro ministro Benjamin Netanyahu.

23 maio 2011, Outras Palavras http://www.outraspalavras.ne (Brasil)

Por trás de arrogância há, muitas vezes, fraqueza. Nesta sexta-feira (20/5), o chefe de Estado israelense, Benyamin Netanyahu, descartou rispidamente uma proposta feita por seu colega norte-americano na véspera. Em discurso há muito aguardado, sobre as relações entre Estados Unidos e Oriente Médio, Barack Obama tocara num ponto-chave para esvaziar as tensões que marcam a região. Sugerira que Israel reconheça o Estado palestino e retorne às fronteiras que prevaleciam até a guerra de 1967 – as mesmas aceitas por dezenas de países. Um dia depois, ambos reuniram-se, na Casa Branca. Após o encontro, ao conceder entrevista coletiva, frente a frente com Obama, Netanyahu afirmou: estas são “fronteiras da ilusão”.

Um documento publicado no mesmo dia, no New York Times, revela: a posição expressa com soberba pelo primeiro-ministro é cada vez mais fraca no mundo — e também em Israel. Dezenas de personalidades – reconhecidas nos meios intelectual, associativo, diplomático e mesmo militar israelense – endossaram abaixo-assinado em que expressam posição muito semelhante à de Obama.

O documento revela algo às vezes oculto, nos meios de comunicação tradicionais. Uma parcela expressiva da população de Israel deseja a paz com os palestinos e está disposta a lutar por ela. Esta postura tem, ainda, pouca expressão institucional – inclusive devido às características muito peculiares do sistema político [veja 1 2 3 textos no Diplô Brasil]. Mas se manifesta num conjunto crescente de iniciativas cidadãs.

Articulado pela OnG norte-americana JStreet, o manifesto publicado no New York Times deflagra um processo que poderá se tornar marcante, nos próximos meses. Setores da comunidade israelense começam a se mobilizar, em todo o mundo, para separar-se de atitudes como a de Netanyahu, e afirmar claramente seu apoio a uma paz justa. Este movimento tem raízes também no Brasil.

Leia a seguir o manifesto, firmado, entre outros, por cerca de 40 intelectuais e escritores premiados, incluindo 27 contemplados com o Prêmio Israel; mais de vinte militares de alta patente, incluindo 18 generais da Reserva; cinco ex-embaixadores, cônsules-gerais e diretores do Ministério das Relações Internacionais; mais de 5 reitores e ex-reitores universidades. A tradução é de Cauê Ameni e o documento, com seu formato original e lista de signatários pode ser encontrado no site J Street. (A.M)

O reconhecimento do estado Palestino baseado nas fronteiras de 1967
é vital para a existência de Israel


“Nós, cidadãos israelenses, nos dirigimos ao público para apoiar o reconhecimento de um Estado palestino democrático, como condição para acabar com o conflito e chegar ao acordo sobre as fronteiras, baseadas nas de 1967. Reconhecer o estado Palestino é vital para a existência de Israel. É a única maneira de garantir a resolução do conflito através de negociações, para prevenir a erupção de outra onda de violência em massa, e isolamento internacional de Israel.

“A implantação bem-sucedida dos acordos requer duas lideranças, israelense e palestina, que se reconheçam uma a outra, optem pela paz e se comprometam inteiramente com ela. Essa é a única política que deixa o destino e a segurança israelenses em suas próprias mãos. Qualquer outra atitude política contradiz com a promessa do sionismo e do bem estar do povo judeu.

“Nós, os abaixo assinados, chamamos todas as pessoas que se preocupam com a paz e a liberdade, e chamamos todas as nações, para que se unam a nós na saudação à Declaração de Independência Palestina e apoiem os esforços dos cidadãos dos dois Estados para manter relações pacificas, fundadas em fronteiras seguras e de boa vizinhança. O fim da ocupação é condição fundamental para a libertação dos dois povos, a realização da Declaração de Independência de Israel e um futuro de convivência pacifica.”

Publicado originalmente em Outras Palavras

PALESTINOS NÃO SE ILUDEM COM DISCURSO DE OBAMA, DIZ PROFESSOR

21 de maio de 2011, Terra Magazine http://terramagazine.terra.com.br (Brasil)

Marcela Rocha

"Os palestinos não têm nenhuma ilusão de que os israelenses se retirariam para a fronteira original de 1967. Qualquer palestino que declare isso como ponto de partida está fechando as portas para negociar. Isso vale tanto quanto a posição do Hamas de eliminar o Estado israelense".

A avaliação é de Samuel Feldberg. Cientista político da Universidade de Tel Aviv e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. É pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, onde se dedica às questões do Oriente Médio e do LEI - Laboratório de Estudos sobre a Intolerância.

Na entrevista abaixo, o professor faz uma análise do discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em longo discurso sobre o Oriente Médio, proferido nesta quinta-feira (19), o estadista americano afirmou pela primeira vez que as fronteiras entre Israel e um futuro Estado palestino devem se basear nas traçadas em 1967, "com trocas mútuas e acertadas de forma que fronteiras seguras e reconhecidas sejam estabelecidas nos dois Estados".

Para Feldberg, o discurso é vago e não aponta para nenhuma mudança num horizonte próximo. "Não acrescentou nada de concreto". No entanto, pode ser útil para países em conflito como Egito e Síria.

Confira:
Terra Magazine - O que o senhor achou do discurso do Obama?
Samuel Feldberg -
De maneira geral, ele reafirmou a defesa - por parte dos EUA - das manifestações em prol da democracia nos países do Oriente Médio. Ele deu também um apoio moral para as populações que estão se manifestando. Mas eu não vi nenhum elemento revolucionário nas declarações dele. Foi um discurso muito bem feito, muito bem elaborado. Mas do ponto de vista de um analista que conhece essas questões, achei monótono. É raro eu concordar com um porta-voz do Hamas, mas nesse caso, concordo com o que ele disse: Discurso não importa, mas o que importa são os passos que os EUA vão dar.

Quais passos o senhor acredita que serão dados?
Eu não acho que será dado nenhum passo pró-ativo. Os EUA estão sinalizando com promessas de reações ao que está acontecendo.

Alguns analistas dizem que o discurso aponta para a manutenção do favorecimento de Israel...
Os palestinos não têm nenhuma ilusão de que os israelenses se retirariam para a fronteira original de 1967. Qualquer palestino que declare isso como ponto de partida está fechando as portas para negociar. Isso vale tanto quanto a posição do Hamas de eliminar o Estado israelense.

O que há de novidade?
Tenho a impressão de ser a primeira vez que um presidente dos EUA enfatiza a desmilitarização do Estado palestino. Isto, certamente, vai de encontro a uma das principais reivindicações de Israel.

O senhor acha que isso seja possível num horizonte próximo? Tanto a desmilitarização quanto um acordo?
Não vejo isso em nenhum horizonte próximo. Essa não será uma condição negociável para o israelense, que não aceitará a criação de um Estado se ele for militarizado. Obama também alertou os palestinos para o fato de, caso declarada unilateralmente as questões do Estado e caso procurem o apoio das Nações Unidas, indicaria, então, um veto dos EUA no Conselho de Segurança. Isto porque na Assembléia Geral os palestinos conseguem votos suficientes. Tem alguns pontos que dá para pinçar do discurso que são perfeitamente a favor de Israel.

Por exemplo?
O Estado desmilitarizado, as fronteiras de 1967 com negociações sobre trocas de território, a questão da Assembléia Geral e o aviso do abandono do terror, porque senão as negociações não avançarão.

Para quê serviu esse discurso?
No meu ver, absolutamente nada. Não acrescentou nada de concreto. Eu acho que um item importante é a fragilidade do Egito que pode se evidenciar nas futuras eleições. O presidente Obama prometeu recursos aos países árabes, mas ele não tem de onde tirar esse dinheiro, porque o orçamento dos EUA está completamente estourado. Se isso for gerar uma espécie de Plano Marshall no mundo árabe, essas expectativas serão frustradas. Isto levaria, certamente, a novas manifestações.

O senhor acha que o discurso, então, foi muito mais direcionado a países como o Egito do que para Israel e Palestina?
Acho que foi muito mais para um país como a Síria, porque o Egito já passou da fase aguda do processo. Enquanto na Síria as forças de segurança mataram mais 21 manifestantes.

Veja também:
»Obama defende Estado palestino nas fronteiras de 1967
»Alemanha, França e Polônia anunciam apoio a plano de Obama
»Hamas classifica discurso de Obama de "fracasso"
»Abbas convoca reunião palestina urgente após fala de Obama

domingo, 22 de maio de 2011

Los fascistas electrónicos son derrotados una vez más

19 mayo 2011, Democracy Now http://www.democracynow.org/es (EEUU)

Por Amy Goodman

Tony Kushner recibirá el título de Doctor Honoris Causa de la Facultad John Jay de Justicia Penal de la ciudad de Nueva York. Esta noticia no debería llamar la atención. Kushner es un reconocido dramaturgo que ganó el Premio Pulitzer en el género teatro, además de un premio Emmy y dos premios Tony. Sin embargo, el otorgamiento del título se convirtió en el centro de atención cuando fue retirado en forma abrupta por el Consejo de Administración de la Universidad de la Ciudad de Nueva York (CUNY, por sus siglas en inglés) durante su reunión del 2 de mayo, luego de que uno de los administradores acusara a Kushner de ser anti-israelí.

Casi inmediatamente se inició una campaña a favor de Kushner, que inicialmente consisitó en solicitar a los anteriores receptores de títulos honoris causa de las facultades de CUNY (de las que la Facultad John Jay forma parte) que los devolvieran. Al cabo de unos días, lo que se hubiera tratado del simple otorgamiento de un título honoris causa se convirtió en un escándalo de dimensiones internacionales. El presidente del Consejo de Administración de la universidad, Benno Schmidt, ex rector de la Universidad de Yale, convocó a una reunión ejecutiva de emergencia del Consejo, que votó por unanimidad devolverle el reconocimiento a Kushner.

Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.

domingo, 8 de maio de 2011

ISRAEL E AS REVOLUÇÕES ÁRABES

6 maio 2011, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Declarações recolhidas por Daniel Süri, publicado no jornal suíço SolidaritéS, n°185 (31/03/2011), fonte : npa2009.org

Em entrevista ao jornal suíço SolidaritéS, Michel Warschawski, fundador do Centro Alternativo de Informação, fala sobre como a súbita irrupção dos povos árabes no cenário político do Oriente Médio e norte da África representou um elemento que desestabilizou completamente os analistas e políticos israelenses. Para Warschawski, os levantes na região árabe podem levar os EUA a considerar que existe uma emergência e que o governo direitista de Israel começa a incomodar e precisa se adaptar à nova realidade rapidamente.

Daniel Süri - SolidaritéS

Em meados de março, Michel Warschawski, militante anti-sionista e fundador do Centro Alternativo de Informação israelense-palestino de Jerusalém e Beit Sahour, participou de várias assembleias públicas na Suíça ocidental dedicadas a acabar com a impunidade dos crimes de guerra cometidos em Gaza, ao lado de Stéphane Hessel.

Ao ler a imprensa israelense, tem-se a sensação de que Israel nega qualquer legitimidade aos movimentos populares nos países árabes. Isso é assim mesmo?


Completamente. Diria mesmo que vai além de negar esta legitimidade. É simplesmente um fator que não existe. Israel conhece estados, governos, exércitos, pode fazer a guerra, negociar, fazer a paz, mas isso acontece sempre ao nível dos estados. Quando se trata dos povos árabes, torna-se uma espécie de massa, identificada com o terrorismo, com um perigo para Israel. Por definição, as massas árabes são anti-israelenses ou mesmo anti-semitas. E a súbita irrupção das massas como ator representou um elemento que desestabilizou completamente os analistas e os políticos israelenses.

Assim, a reação de Israel não se baseia apenas no medo de perder o recurso que o tratado de paz com o Egito representaria, mas também na sua recusa de tomar em consideração as massas árabes?

Sim, mas mais que uma recusa é um verdadeiro sentimento de ameaça. A paz com o Egipto existe desde há várias décadas e nunca foi um sentimento profundo, compartilhado, que fosse um dado adquirido para Israel. E agora, de modo quase cômico diria eu, põem-se de repente perguntas, faz-se de conta que se descobre que “sim, esta é uma questão”, etc. Mas Israel não tem feito nada para manter esta paz. Não fez nada, por exemplo, para fortalecer o governo egípcio que tinha feito a paz, ou simplesmente para ouvir o que ele disse. Várias vezes o presidente Moubarak advertiu Israel para a sua política no Líbano ou em Gaza. A resposta foi um pouco do tipo “mas quem é este Moubarak?”. E de repente descobre-se agora o processo de paz, e perguntamo-nos o que vai acontecer. De alguma forma, ganha significado, negativamente.

Por que foi posto em perigo?

Não, não está em perigo, mas quem parecia ser o seu garante já não está lá.

Este sentimento de ameaça explicaria também as declarações de Shimon Peres a Angela Merkel, segundo as quais a democracia estaria de alguma forma reservada àqueles que se reconhecem na civilização ocidental, mas seria preciso usá-la com parcimônia com os outros?

Isso é tipicamente o olhar colonial de Israel, e especialmente o de Shimon Peres, que tem uma visão binária do mundo, com uma face civilizada dum lado, a dos que pertencem à tradição judaico-cristã, e do outro a dos selvagens. E esses, é preciso saber governá-los. Isso está também profundamente enraizado na opinião israelense e é por isso que não tiveram nem um pingo da alegria que se encontrou em todo o mundo que dizia «há uma primavera árabe!». Aí era mais outono...

Precisamente, essa atitude é própria das esferas governamentais ou é partilhada pela população israelense?

É amplamente partilhada pelo povo e pelos meios de comunicação. Certamente, existem opiniões e comentários que são mais espertos e mais abertos relativamente a esta mudança imensa no mundo árabe, mas de maneira geral é uma opinião partilhada pela grande maioria dos meios de comunicação e, portanto, da opinião pública.

A política externa israelense não vai então mudar? Vai continuar a sua linha de “defesa de um estado sitiado” à espera do retorno dos republicanos a Washington?

Efetivamente. Bem antes dos eventos regionais que conhecemos, Obama foi sempre visto como um parêntesis, um mau parêntesis. É preciso esperar que o parêntesis se feche para voltar à normalidade, e a normalidade tem um nome: George W. Bush. Mesmo que não seja ele, essa normalidade declina-se no passado, na guerra global, permanente e preventiva, numa estratégia de recolonização do mundo. Benjamin Nethanyau [atual primeiro-ministro] foi um dos pais desta estratégia 30 anos atrás. Para ele, o reinado de Bush e a sua estratégia permitiram a realização de todos os seus objetivos. A saída de Bush, que se seguiu ao fracasso desta estratégia de guerra global, que foi um fiasco para os americanos, foi percebida principalmente em Israel como um parêntesis antes dum regresso próximo à normalidade.

Podemos esperar, com base nos avanços do movimento democrático e social na região, uma mudança na opinião pública israelense ou será que a situação está completamente rígida?

Isso será mediado por Washington. Se a política americana mudar em função duma nova interpretação da realidade no Médio Oriente, irá forçar a mão para uma mudança na política israelense, da opinião pública israelense e, possivelmente, do governo. Com um problema, que é não temos um governo de reserva. "Tzipi" Livni e o Kadima? [dirigente e principal partido da oposição]. Talvez. Mas isso só se fará através de Washington. Tal como no passado, quando cada viragem na política israelense se seguiu a uma viragem na política americana e foi por assim dizer imposta ou conduzida por esta. Não haverá nenhuma tomada de consciência autônoma; ela será forçada, de certa forma.

Mas terá Washington meios para o fazer? A política israelense de continuação da colonização fez-se contra a resistência e as críticas dos Estados Unidos, não haverá uma certa autonomia do governo israelense?

Há certamente uma grande autonomia do governo israelense. Ele não é uma marionete que se manipula a partir de Washington e se você me tivesse posto a questão há dois meses, eu teria dito “não haverá nenhuma mudança”. Os norteamericanos estão conscientes – e é isso que explica o recuo de Obama após o discurso no Cairo, que dava a entender muitas coisas e que foi rapidamente “esquecido” – de que precisam de fazer grandes pressões para fazer recuar o governo de extrema-direita atual e a opinião pública israelense, bastante direitista. Já não é uma discussão política amigável do tipo “vocês têm de se acalmar, vocês excedem-se e isso cria-nos problemas ...” . Aí vai ser preciso forçar a mão. Forçar a mão, quer dizer enfraquecer Israel, portanto enfraquecer também os norteamericanos. O que explica o recuo dos Estados Unidos e não de forma alguma a suposta ação de vários lobbies pró-Israel.

Washington foi confrontado com esta escolha: Israel teria de mudar de política, mas se nós dermos os meios para a fazer mudar, enfraquecemo-nos. Dilema, portanto, uma vez que em ambos os casos, estamos fracos. E da mesma forma que em Israel se espera o fim da presidência de Obama, nos EUA espera-se o fim do governo de direita atual e o regresso dum governo mais moderado. Esta é a resposta que eu teria dado há dois meses. Os levantes na região árabe, poderiam contudo levar os norteamericanos a considerar que existe uma emergência e que Israel começa a incomodar; eles poderiam achar que os interesses americanos exigem a Israel que se adapte e fazer com que as autoridades israelenses compreendam isso firmemente.

Tradução de Paula Sequeiros para Esquerda.net

terça-feira, 19 de abril de 2011

Brasil: Comunidade árabe de Foz organiza ato de repúdio à revista Veja

18 abril 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A cidade paranaense de Foz do Iguaçu realizou, na noite de domingo (17), na sede da Sociedade Beneficente Islâmica, um amplo ato de repúdio contra a revista Veja, pelas acusações de suposto envolvimento da comunidade árabe da tríplice fronteira com o terrorismo.
A cerimônia reuniu mais de 800 pessoas e contou com a participação do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Para o vereador da cidade, Nilton Bobato (PCdoB), “não é uma revista medíocre que vai abalar nossa relação (com a comunidade árabe), pelo contrário, nos une cada vez mais e nos fortalece para levantar esta bandeira da cultura da paz”, disse o vereador.

O ato, que contou também com a presença do vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro (PCdoB), do Xeque sunita Mohsin Al Husseini, do Xeque xiita Mohamed Khalil e do militante e jornalista Aloizio Palmar, foi marcado por discursos que tiveram a tônica de resistência contra a opressão e perseguição promovida por grupos dominantes e imperialistas.

As ações de repúdio às acusações reiteradas da revista Veja em sua penúltima edição (3/4), sobre o envolvimento da comunidade árabe da tríplice fronteira com o terrorismo, repercutiram com uma dimensão incalculável em Foz do Iguaçu, onde vozes importantes, como a do deputado federal Protógenes Queiroz se somaram a outras diversas manifestações contra as informações consideradas difamatórias e discriminatórias promovidas pela revista.

Protógenes foi convidado por autoridades de Foz do Iguaçu após ter feito o pronunciamento no Congresso Nacional em defesa da comunidade árabe e em repúdio à matéria da Veja. Para o deputado, “este tipo de matéria não é feita de graça ou por diletantismo, mas patrocinada com o mesmo dinheiro usado para manter interesses espúrios”.

Protógenes, que já coordenou o escritório de Investigação da Codesul em Foz do Iguaçu, refuta as acusações de terrorismo na fronteira e afirma que a revista é quem pratica o terror contra os povos em favor de interesses imperialistas. “O Brasil abriga terroristas sim, mas não são os árabes; o terrorismo que existe em Foz é produzido pelos repórteres da Veja, patrocinados para escrever a matéria”, disse o deputado.

O deputado disse ainda que cifras milionárias são utilizadas pelos Estados Unidos para financiar veículos de comunicação e implantar o terrorismo contra os povos árabes.

O vice-prefeito Chico Brasileiro também vinculou a chamada “fabricação” da matéria aos interesses dos grupos econômicos aliados aos interesses imperialistas, e situou na história o compromisso da editora Abril, que edita a Veja, com as elites entreguistas do país: “A primeira edição da revista Veja foi em 11 de setembro de 1968, a capa da revista, nesta primeira edição, foi justamente para defender a ditadura militar implantada na época, e para dizer que o Brasil vivia uma ameaça terrorista comunista. Esta foi a primeira edição e demonstra que de 11 de setembro de 1968 para abril de 2011, ela não mudou em nada, ela continua sendo o mesmo agente do imperialismo e do terrorismo internacional”, disse Brasileiro.